domingo, 19 de abril de 2009

Dia 19 de abril de 2009 - E o monstro toma forma...




Desta vez, o chá seria diferente. Era um chá do Acre, e como diria Z, "Feito com raízes que devem ser bem mais velhas do que voce". Já estava avisado que seria algo forte.

Desta vez, tinha pouca gente. O que foi ótimo, ficou um ambiente mais tranquilo. O chá do Acre realmente era forte... o cheiro já era bem mais forte, e o gosto bem mais amargo. Bem, mas isso nem deve ser lá tããão forte assim né? Ledo engano...

Nesse dia, eu cheguei lá um pouco chateado, devido a alguns eventos, porém bastou uns minutos lá, e eu me sentia já bem calmo. Eu, que sempre tive dificuldade pra relaxar e meditar, conseguia fazer isso até com tranquilidade. Mais mudanças notáveis...

O efeito veio mais rápido do que imaginava. Na verdade, veio MUITO rápido. Quando fizeram uma Chamada, já senti a força tomando conta do meu corpo. Puta merda, esse treco é forte pra caralho mesmo! Na experiência passada, relatei que comecei a respirar forte, e ia mexendo meu corpo. Pois é, logo em uns 10 minutos já sentia isso. Porém, me segurei, não tava afim de passar pela mesma coisa.

Mas tava muito forte. MUITO. Eu ficava uns segundos parado, e logo sentia-me impulsionado a me mover. Quando fizeram outra chamada, foi quando bateu mesmo. Comecei, instintivamente, a mover meus braços, fazendo um "tai chi imaginário" enquanto faziam a chamada. Logo em seguida, respiração forte de novo... não veio o "manto negro", porém, a sensação era a mesma.

E nas mirações, tudo seguia um tema, e se repetia constantemente. Primeiro, eu via mãos. Muitas mãos. Na verdade eu sempre via pessoas em várias poses estranhas, umas meditativas, outras pareciam que elas estavam cultuando uma força superior, outras elas estavam paradas em poses infazíveis... mas o destaque sempre era pras mãos. Mãos, mãos, mãos.

Em alguns momentos, elas apontavam pra uma direção. Apontaram MUITO pra cima. Seria um chamado? Que eu devo ascender? Ainda não consegui abstrair tudo, porém me pareceu assim. Quando "olhava" pra cima (ou seja, apenas mexia a cabeça pra cima, de olhos fechados), sentia uma luz muito forte acima, e um calor grande... bem, já sabem o que é essa experiência... sentia que Deus estava me olhando, em umas horas.

Mas, quando eu começava a me deixar levar por isso, logo vinha os desejos de me mover, juntamente com a respiração forte, ofegante. Meu coração batia a mil. E então, comecei a sentir um frio imenso. Mas imenso, de bater o queixo, na verdade eu posso dizer que nunca senti tanto frio na vida. Quando eu começava a me mexer, mexia tremendo!

E o impressionante é que em um desses momentos, comecei a ver T, um dos fardados, em uma das posições com as mãos para cima, em uma pose estranha. Vi ele, e passou um tempo, ouvi ele me chamando. Quando vi, ele estava me oferecendo um cobertor.

Me cobri e continuei de olhos fechados. E aí começou algo que foi um insight e ao mesmo tempo uma bela interrogação.

Novamente, começava a vontade de se mover. Era MUITO forte! E eu me movia, era gostoso! Era bom me deixar levar e mover dessa forma esquisita. Porém, me falaram duas vezes: "Firma no seu coração". O que diabos era isso? Não fazia sentido nenhum isso pra mim...

Mas, com o passar do tempo, sentia que um elo começava a se formar. Eu via uma linha branca que ligava meu coração a mim. E ele pulsava com força, era muito quente. Quando eu começava a me mover, e me sentir tomado por esse desejo, me recorria a essa linha, e meu coração empurrava esses desejos "pra baixo".

Porém, isso gerou um conflito. Firme no seu coração. Ok, mas... parte dele quer perder o controle! Parte do meu coração queria que eu simplesmente começasse a mexer e ver até onde ia dar.

E então, entendi uma coisa. Minha segunda, terceira, e esta experiência, estavam ligadas. Elas tinham o mesmo tema! Ok, isso não deve estar fazendo sentido algum, então deixe me explicar...

Comecei a perceber minha movimentação... respirava fundo, e começava a "cavucar" de dentro da coberta com as mãos, querendo livrar elas... elas saiam, e começavam a fazer um movimento como se meus braços fossem patas... e minhas pernas logo começavam a se mover assim também! Era como se eu tivesse movendo feito um cão!

Então me lembrei que minha amiga (que infelizmente não pode ir, mas... tudo a seu tempo, né?) disse que, na vez passada, quando caí, eu fiquei exatamente assim, como se fosse um cão correndo!

E, na segunda experiência, quando virei uma estátua, eu vi algo preto querendo sair de dentro de mim, "cavucando" por dentro, mas ficava dentro, olhando pela boca...

Por um acaso, eu me imaginava um cão preto, feroz... como um Doberman. E quanto mais me deixava levar, mais eu ficava com gana de andar e agir como um cão. Eu literalmente me via até babando, sabe quando um cachorro vem todo puto de raiva pro seu rumo, correndo e babando? Imagine um Doberman assim. Eu me sentia exatamente desse jeito.

As mirações nesse dia tiveram um padrão circular: eu primeiramente relaxava, e começava a me sentir bem. Essa sensação ia tomando conta, e eu ia perdendo noção do corpo, ele sumia. Eu via vários círculos amarelos, que piscavam. Quanto mais se aprofundava esse estado, mais minha visão chegava perto dos círculos, e eu via fotos de pessoas que conheço. E ia ficando muito próximo, a nível de ver os "átomos" dessas fotos. Nesse meio tempo, as visões eram sempre de mãos. Então, eu, em meio a essa "perdição" de corpo, sentia vindo por baixo disso tudo essa vontade de mover como um cão... era como se ele quisesse me dominar a todo custo! E era um conflito muito grande, porque parte de mim queria que ele tomasse conta, me sentia bem com isso, e outra parte era a que impedia.

Todas as visões das 3 últimas vezes estavam me apontando isso. O "manto negro" era esse cão. Esse cão, na verdade, é algo dentro de mim que ainda não entendo bem. Meus desejos? Raiva? Mágoa? Não sei, porque eu sentia que era bom me deixar levar por ele. Porém, ele aparentava estar furioso. Será que no fundo eu quero me deixar dominar por um instinto agressivo, porém me controlo? É isso que está dentro de mim?

Após isso, eu abria os olhos. Essa luta era muito intensa, e quanto mais passava o tempo, mais eu sentia que ia perdendo, que ia ficando difícil. Porém, bastava uns segundinhos... e lá estava eu de novo, me relaxando, mãos aparecendo, corpo sumindo, círculos amarelos surgindo, respiração muito forte, eu movendo...

Foi difícil. Quando o trabalho acabou, minha burracheira não foi embora. Eu ficava de pé, e sentia uma energia muito forte passando no meu peito, e que queria me fazer "girar". Aliás, nesse dia tudo em forma de círculos parecia me agradar. Nota irrelevante: eu fui no banheiro, e comecei a fazer tai chi imaginário em pé... fazendo círculos no ar, com as mãos... eu nem percebi que tinha começado, mas era tão bom...

Ser levado por essa força é muito bom. Eu sou alguém que tenta se controlar o tempo todo. Então, ser apenas uma marionete nas mãos dessa energia, era bom. Queria poder ter me deixado levar totalmente, mas não sabia que eu podia pedir pra deitar. Uma coisa que acontece, é que se você deita, você se sente mais seguro. Nas cadeiras, é uma sensação de exposição muito forte. Fora que deitado você pode ficar mexendo.

Esse é meu conflito. Eu queria ser um Doberman furioso. Obviamente, isso não é tão simples assim. Isso significa algo dentro de mim. Eu só preciso agora fazer o mais difícil: entender toda essa informação.

Mas, faz parte do processo...

Um comentário:

Anônimo disse...

Então Pedro, eu estava lá, ao seu lado, e presenciei as reações físicas do nova percepção que se deslindava em seu interior. Houve momentos inclusive em que eu tive medo de ser lesionado pelos seus braços e pernas (rs). E, antes que o oratório fosse novamente aberto, eu passei as nossas duas primeiras horas no salão te observando e achando aquilo tudo muito curioso. Mas, mais curioso é associar o que vi com a leitura do que acontecia interiormente.
Amigo (se é que me permite chamá-lo assim), não contive o riso ao lê-lo e não me detive com apenas uma leitura. Genial sua idéia de postar suas experiências, em especial desta forma tão descontraída. Eu também costumo anotar, pois infelizmente, e isso é fato, grande parte da magia se esvai rapidamente da memória. Então, continue postando. Adorei!

Nos vemos no salão ou na Faculdade!

Abraço e Parabéns!

Francisco