domingo, 12 de abril de 2009

Dia 7 de março de 2009 - É a minha primeira vez, seja cuidadoso... (Parte 2)





No mesmo banco, na mesma praça. Ehr...

Enfim, cheguei no lugar. Era um lugar bem simples, porém de certa forma aconchegante. Era uma varanda de casa, com várias cadeiras, daquelas que provavelmente sua avó tem na área de casa, aquelas boas de esticar e ficar conversando da vida. Ou quem sabe você mesmo tem.

Na frente de tudo, um símbolo bem interessante: um pássaro branco, na frente de vários "raios de luz". Tudo de madeira. Tinha uma mesa mais altinha, como se fosse um lugar típico pra um ministrante de uma reunião ficar, e do lado dela, uma mesa menor.

Enfim, fiz todos os procedimentos iniciais, como assinar o nome, e tudo mais. Eu havia vindo com Y, e logo X chegou. Sentei em um lugar que me foi indicado, e aguardei.

Passado um tempo, o mestre da reunião chegou. O lugar já estava com todas as cadeiras ocupadas. Na frente, várias pessoas com um uniforme. Eles estão ali pra auxiliar o processo dos outros. E então, a reunião se inicia.

No começo, ele fala várias coisas, fala um pouco sobre a doutrina do lugar. Eu confesso que inicialmente fiquei um pouco incomodado. Tenho uma resistência bem grande a religiões, doutrinas religiosas e afins. Então, me senti entediado. Mas senti que era uma doutrinação bem de leve. No fim, eu só queria tomar aquele chá logo. Ô demora! Anda logo rapaz!

Enfim, o esperado momento. Fazia tempo que não sentia aquilo. Aquela ondinha de medo / expectativa tomando seu corpo, principalmente sua barriga.

O chá tem cor de "pingado". Sabe, aquela mistura de café com leite? Então, é exatamente essa a cor do negócio. O cheiro dele é forte, lembra uma mistura de ervas. Já havia sido advertido que o gosto do negócio é forte, então lá mesmo tem umas balas pra você mastigar, pra sair o gosto. E o treco realmente tem um gostinho nada agradável. Eu senti isso até mesmo no outro dia. O gosto gruda na garganta.

Então, sentei na confortável cadeirinha, e fiquei relaxado. Claro, na cabeça, fica sempre aquela coisa... "E agora?" "Quando vai acontecer?" "Como que vai ser?"... enfim. Expectativa normal diante de algo diferente.

E fiquei decepcionado no início. Me senti relaxado... e só. Senti também uma extrema pressão no lugar aonde reside o chakra do terceiro olho. Extrema MESMO. Chegou a dar dor de cabeça, era muito incômodo.

"Mas que merda, é só?" - pensei.

Você pode tomar chá em dois momentos. Supostamente o efeito dura apenas duas horas, então, depois dessas horas, você pode, se quiser, tomar de novo. Obviamente, eu fui e tomei mais uma vez, afinal, nada havia ocorrido.

Então, sentei e fiquei de olhos fechados, esperando a "coisa" vir. E ela veio. Em questão de minutos, uma sensação de que seu corpo está "diferente" se apossou de mim. E eu fechava os olhos, e via as coisas mais malucas do mundo. Eu tentei me recordar de algumas, porque sempre falavam que era impossível explicar o que se via, e realmente é difícil. Mas, tentei guardar umas na mente, pra quem nunca experimentou algo assim ter uma noção de como é esse momento...

- Imagine um pufe, daqueles quadrados. Seus lados eram verdes. Então, imagine um desses lados sendo colocado bem na frente dos seus olhos... você não veria nada, além desse lado do pufe. Esse lado, era dividido por linhas verticais e paralelas, ou seja, dividiam o pufe em 5 partes (essas linhas eram como se fosse uma "costura"). E, nessas partes divididas, em cima da estampa verde do pufe, tinham vários quadrados brancos e vermelhos, que eram colocados de cima pra baixo, de forma alternada. E, em cima dos quadrados, estavam estampados rostos.

Então, uma mão passava bem em cima das costuras, e "abria" o pufe, só que não era bem uma mão... os dedos eram como se fossem feitos de metal, bem finos, eram como se fossem dedos de "tesoura". Eles passavam e o pufe se abria feito manteiga. E, na medida que passavam, os rostos na estampa iam literalmente "derretendo". Eu via os olhos saindo das órbitas, as expressões ficando todas alteradas...


- Tente imaginar um monte de setas. Não aquelas setas com "corpo" e "ponta". Era só a ponta, algo assim: >

Daí, imagine um monte delas enfileiradas. Daí quando chegava no fim do espaço da visão, elas se viravam pro outro lado. E eram de cores brancas e pretas, alternadas. Era como se fosse assim:

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Daí, elas pegavam e, subitamente, apontavam todas pra uma direção, e elas ficavam como se fosse um neon, as setinhas iam ficando alternadamente vermelhas... e quando isso acontecia, minha cabeça se mexia pro lado que elas tavam apontando. Era um movimento quase que involuntário... você sente que tem controle, se não quiser, não se mexe. Mas, você sente que seu corpo "tendencia" a se movimentar dessa forma. Então, você deixa, e essas coisas vão acontecendo.

Pra tornar mais bizarro, no canto inferior esquerdo disso tudo, eu via um "ícone" pequeno que ficava "pulsando"... era como se fosse um símbolo do McDonalds, com uns copos de refrigerante na frente, numa língua que eu não entendia... e ficava piscando.

Maluco, né? Pois é. Imagine que isso acontecia em uns 5 segundos, ae em seguida, vinha outra visão desse tipo, e outra, e outra... era como um sonho extremamente louco que ia se alternando continuamente. A música que você ouve tem um efeito no que você experiencia. Na verdade, qualquer coisa ao seu redor influencia.

Fiquei nessas visões malucas por muito tempo. Se fosse só isso, eu já teria saído de lá extremamente satisfeito. Mas, obviamente, eu tinha que tomar um tapa na cara.

De repente, tudo começou a sumir... e comecei a ver uma luz branca, MUITO forte. E sentia um calor, vindo de cima, um calor imenso. Mas, não era um calor desconfortável. Eu me sentia envolvido por ele, de uma forma que não me sentia a tanto tempo... sabe uma criança no colo da mãe, naquela noite fria, em que nada mais importa, a não ser o aconchego do colo da sua mãe querida? Bem... imagine isso aumentado umas cem vezes. Eu me sentia uma criança no colo de algo grande... enorme...

Eu me sentia envolvido por essa luz, e não conseguia sentir mais nada, além de amor, alegria, e me sentir mais e mais confortável.

Subitamente, o pensamento corre pela minha mente: "Cara... isso é DEUS!"

E uma onda de medo tomou meu corpo. Deus? Logo eu, que vivi tantos conflitos religiosos, que falava de boca cheia que "Deus não existe", que adorava brincar com a fé alheia... estava ali, sentindo que tava diante Dele.

E então, algo inesquecível. Eu "senti um sim". Isso parece esquisito, né? Bem, eu não ouvi realmente um "Sim"... eu tive uma sensação de um sim... era como se essa entidade falasse apenas por sensações e sentimentos, e ali estava ela, confirmando: Sim, eu estava diante de Deus.

Nesse exato momento, toda a tristeza da minha vida tomou conta de mim. E em minha cabeça, só um pensamento vinha: "Me ajuda, me ajuda, me ajuda, me ajuda...". Porém, lembrei de tudo que fiz... todas as brigas, todas as piadas, brincadeiras, tudo que falei em nome de Deus. E me senti tão desprezível. Pequeno. E imediatamente, só conseguia pensar uma coisa: "Me perdoa!".

E então fiquei com medo. Medo de ser abandonado. Não queria que aquilo fosse embora, não queria que ELE fosse embora. E então pensei "Não me abandona!". E, novamente, tive uma sensação de uma resposta: "Eu nunca te abandonei... sempre estive aqui". E nessa hora, eu chorei. Quem me conhece a fundo, sabe como é difícil pra eu chorar. A ponto de beirar o patológico. Mas, naquele momento, só conseguia chorar, e chorar, e chorar...

E então, fui tomado por uma grande sensação de amor. Como se nada mais importasse. E eu sentia que aquela energia era GRANDE. Eu não conseguia nem imaginar o tamanho... mas ela me envolvia com força. E todas as coisas ruins foram embora. O medo, a tristeza, a insegurança... eu literalmente me sentia anestesiado dessas sensações. E eu sorria, sorria como uma criança.

Então, essa luz foi diminuindo... diminuindo... e eu sabia: Ele estava indo. Logo pensei "Não vai embora...". E senti mais uma resposta: "Eu nunca vou embora. Sempre estou aqui". E eu sorri com a maior das alegrias. De que não estava sozinho.

Naquele momento, eu sentia que entendia. Nunca me senti próximo de Deus. Não me sentia com direito de pedir nem querer nada. Preferia ficar comigo mesmo. Porém, sempre quis um contato com ele. Não queria ser abandonado. E, naquele momento, saber que eu nunca fui abandonado por ele... foi algo muito inesperado. Simplesmente foi uma voadora em todas as minhas convicções e dogmas tão bem estabelecidos, durante anos...

Um simples cházinho foi o suficiente pra quebrar uma idéia tão sólida dentro de mim. De que não existia Deus. E, se existisse, ele não estava nem aí pra gente.

O encontro terminou, e eu só conseguia sentir alegria. Durante uns dois dias depois desse, eu não sentia nada além disso.

Seja lá o que tinha acontecido, tinha sido forte. Mal eu sabia que era só o início...

Mas, isso é história pra outro post.


DETALHE IRRELEVANTE: não me avisaram que não podia ir de roupa preta, e eu fui com uma bela camisa preta. O ÚNICO LÁ COM CAMISA PRETA. E quando você toma o negócio, tem a mão certa pra segurar (faz parte do ritual)... e eu segurei com a mão errada. Como sempre eu tenho que ser sempre o que faz as coisas erradas...

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