domingo, 27 de dezembro de 2009

It's friggin' Christmas, fuckers!


Na verdade, o natal já passou, mas ainda podemos dizer que o seu espírito permeia nossos corações (tão comovente...)

Estou apenas seguindo a idéia do Sr. Z, que me sugeriu escrever de novo, após um tempo. Eu parei de escrever por um simples motivo: não achava que tinha que dividir as coisas. Estranho, mas era como se eu pegasse fosse escrever, a "magia" da coisa ia sumir. Então eu parei.

Naquela época, não entendi muito porque estava fazendo isso, porém hoje, meses depois, posso dizer que entendo perfeitamente...

Como hoje digo que entendo muitas coisas. Aliás, foi bom ler de novo esses posts, e ver minhas tentativas de colocar ordem nesses acontecimentos. De colocar uma razão nisso tudo.

Tentativas humanas de compreender algo, a primeira vista, incompreensível...

O que posso dizer após tanto tempo... na verdade, poderia dizer tanta coisa. Mas, apenas sinto que devo falar algumas coisinhas.

Primeiramente, nunca me senti tão feliz na minha vida. Digo isso sendo alguém que, no começo deste ano, tinha decidido acabar com a própria vida. Nada pra mim fazia mais sentido, nada tinha graça, nada tinha valor...

Tanto busquei no mundo de fora, tantos sonhos, tanta coisa, pra aplacar uma tristeza que não parecia ter fim nunca...

E hoje, o que posso dizer é que o amor realmente existe. O amor é realmente a força mais poderosa do universo. E que todos somos merecedores dele. Mas que, para isso, devemos abandonar todas nossas concepções sobre ele. Tudo que achamos que merecemos, que não merecemos, que podemos e não podemos, nossos acertos e erros... enfim.. tudo...

Tudo deve ser deixado de lado em nome do amor divino.

Percebo tantas pessoas buscando preencher o vazio em seus corações com coisas do mundo de fora. Aspiram posições, empregos, atividades, relacionamentos, todas em desespero constante, querendo sentir algo, querendo se apegar a algo que as faça pensar "Pelos céus, a vida VALE A PENA"...

E quando são questionadas se são felizes, elas sorriem timidamente, ou de forma exagerada, e dizem que sim... como se para justificar sua luta, suas amarguras, tudo que fizeram em busca de não sofrer... porém, quando a noite chega, em seus travesseiros, muitos olham pra dentro e questionam constantemente "O que está de errado com minha vida?"

Tantas pessoas estariam vivas hoje, e mesmo entre as vivas, tantas delas estariam sorrindo, se percebessem algo simples: que nada no mundo ao redor de nós nos trará felicidade, se não nos conectamos em primeiro lugar com o amor em nossos corações, o amor que existe em todos nós, que provém da divindade, da existência superior...

Chamem de Deus, Energia, Universo, Existência Superior, chamem do que quiser, pois estes e outros são apenas nomes que tentam enquadrar essa existência superior e divina em palavras. E a sua maior força é, sem dúvida, o amor.

Digo isso, novamente, como uma pessoa que não só havia contemplado o suicídio, mas já tinha decidido como fazê-lo, e quando. Não era mais uma questão de "se", e sim de "quando". E hoje, digo sem sombra de dúvida: todos merecem ser amados. Mas primeiramente, este amor tem que surgir de DENTRO... e não de fora.

Pois dentro de todas as pessoas existe uma verdadeira essência divina, uma fagulha desta força superior, e quando nos voltamos para ela, e nos entregamos a ela, podemos sim experienciar aquilo que realmente faz tudo valer a pena...

E aí percebemos que, só depois disso, podemos buscar as coisas de fora, pois então, tudo fará mais sentido, tudo valerá realmente a pena, pois com amor, o que não vale a pena? O que não é feliz? Existe ainda uma noção errônea de que, para ser um "ser espiritual", devemos virar as costas para o mundo material e ignorá-lo completamente, mas isso não poderia ser mais errado. Pois devemos contemplar toda sua beleza e esplendor, porém, devemos fazê-lo conectados ao amor divino, que faz tudo se tornar digno e belo.

Vejo que a Ayahuasca é um caminho realmente especial, porém, não é a dona da verdade. Não é o melhor de todos os caminhos. Tal compreensão pode ser adquirida em qualquer outro caminho espiritual verdadeiro, que seja constituído de pessoas que estão ali de coração, que seguem suas essências divinas...

... o que infelizmente, hoje, é uma raridade.

Talvez o que torne a Ayahuasca tão especial, é que ela não se intermedia com a nossa pequeneza humana. Mesmo que os rituais sejam conduzidos por humanos, e isso pode influenciar no processo da pessoa, a luz está ali, e tem seu propósito. E não são as músicas, os ensinamentos, ou seja lá qual coisa humana que vai impedir que ela ensine aqueles que desejam ouvir...

Quando buscamos sem um guia, tudo é mais difícil. E talvez por isso que com a Ayahuasca a coisa "funcione". Mas, para aqueles que não podem experienciar ela, aconselho a fazer algo que considero ter sido o mais valoroso ensinamento de todos, nessa caminhada...

Sigam seus corações. Dentro de nós, todos SABEMOS o que devemos fazer. Nosso coração nos diz constantemente isso. Aquelas sensações que surgem e é quase como se falassem "Não faça isso", ou "Vai lá e diz isso!"... porém, muitas vezes, não seguimos esse comando.

Nosso coração sempre guia para o amor e para a alegria, e se todos o seguissem incondicionalmente... provavelmente, teríamos um mundo mais tranquilo.

Aguardo curiosamente as surpresas do ano de 2010. E que, seja lá quem ler isso, consiga sentir que, sim... você merece ser amado. Você merece ser feliz.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

9 de maio de 2009 - E o bambu?


Bem, pra uma reunião extraordinária, em nome do dia das mães, sendo que eu estava até hesitante sobre ir, eu tive mais insights do que imaginaria. Aliás, eu tive mais insights do que jamais tive.

Hoje vou encher vocês com desenhos toscos mal-feitos no paint, pra explicar o que compreendi. Sim, minha experiência foi destinada a me ensinar como, de uma forma prática e "gráfica", passar pra vocês como é essa experiência. Sério, eu ia vendo aos poucos um modelo de como explicar isso, como se fosse num livro de faculdade.

A experiência toda foi baseada na firmeza. Dessa vez, não fiquei mexendo, sambando, respirando forte, nada. Porém, não é um estado 'rígido'. Comparo esse estado mais como um bambu mesmo, que tem flexibilidade pra se mover com os mais rigorosos ventos, mas não a ponto de se deixar levar por eles.

Ok, como eu já percebi, tudo que você formula em uma experiência, pode ser derrubado na próxima. Mas, por enquanto, tenho que me ater a o que tive lá. Preparem-se pro maior post até hoje. Sem mais delongas... o modelo "básico" da experiência, feito exclusivamente (e porcamente) no paint!




Se alguém esperava "glamour" nesse desenho, como deve ter se decepcionado...

Ok, mas vamos explicar o que diabos isso significa.

1 - O externo. Essas são as forças em ação, no momento. Energias, entidades, eventos externos... tudo que vem "de fora" e passa por você, nesse momento.

2 - Nosso organismo. Esse é nosso "aparelho biológico". Nossa casca que nos faz reconhecíveis como "humanos". Com ela, percebemos o mundo ao nosso redor (através de nossos sentidos) e também o afetamos de volta.

3 - Nossas sensações e sentimentos. Tudo que temos como sensação, que vem de imediato após captar algo vindo do "externo". Sentimentos como alegria ou tristeza, sensações físicas como dor e prazer... tudo está contido nesse "nível". Se o número 2 seria a nossa "casca", o número 3 seria um resultado dela. O que sentimos, tudo advém do que nossa "casca" percebe através do contato com o externo. Não estou falando ainda de pensamento. A palavra chave aqui é sentir.

4 - Isso seria o nosso "eu". Porém, não é o nosso eu humano, e sim, como eles chamam de Eu Superior, ou Eu Divino. É a sua verdadeira essência, conectada com a força superior, no caso, Deus. (não existe outro "caso", não sei porque cargas d'agua coloquei "no caso"). Os pensamentos estariam contidos aqui.

Ok, como tudo funciona? No momento que você bebe o chá, você fica aberto a energias e vibrações de um nível além do "humano" e perceptível. Essa expansão de consciência nos faz abertos (e, de certa forma, vulneráveis) a esta chamada "força", que nos inunda com visões (as mirações) e experiências. Então, no momento, tudo está bem assim:
Cada linha verde, significa uma miração, uma força, ou experiência particular. As vezes, todas as linhas verdes são a mesma coisa, ou seja, transmitem uma mesma miração, ou experiência. Porém, em outras vezes, elas podem ser experiências diferentes. Como na segunda vez que fui, aonde eu via ao mesmo tempo que estava em um trono, e também via algo "negro" saindo de mim, quando era uma estátua.

Ok, agora que começa o primeiro grande desafio. É aonde tudo fode. Talvez seja arrogância eu dizer que "compreendo" algo, mas eu sinto que o "segredo" da peia está nisso agora.

Então, estas forças chegam até nós. Então, elas são, primeiramente, captadas pelo nosso organismo, nossa "casca". E isso, então, gera uma série de sensações e sentimentos.

Porém, é justamente nisso que está o problema! Não é todo dia que somos inundados com mensagens divinas e mirações. Então, obviamente, nosso corpo terá uma percepção muito forte disso tudo. E é aí que está nosso grande erro. Nos deixar levar pelo que nosso corpo enxerga no momento. Porque a partir do momento que a energia chega em nosso organismo, ele a distorce em uma lógica humana. Então, é como se chegasse até a gente assim:



Ok, eu deveria ter medido melhor essas linhas pra que elas chegassem até o Eu de forma reta. Mas deu pra entender.

Então, a experiência tem um propósito, porém isso está além de nossa lógica biológica humana. E ele tenta simplificá-la em uma forma que ele conhece. Como? Dores, sensações corporais, como seu corpo estar sendo retorcido, partido, vontades de se mexer, tristeza, alegria... somos inundados a todo momento com essas sensações.

E qual o grande perigo? O perigo está em nos fixarmos nessas sensações e sentimentos e tomarmos eles como sendo a experiência em si.

Como me foi dito por um dos fardados (se você estiver lendo, agradeço-o de novo pelo ensinamento), devemos ser como um cilindro de vidro... somos banhados pela força, mas ela passa por nós, e vai embora. E é esse o segredo e a maior dificuldade. Porque nos apegamos a essas sensações humanas.

Percebi uma coisa interessante, que creio que acaba potencializando o desespero. Primeiro: as sensações não vão embora imediatamente. Por exemplo, você sente uma vontade de ir no banheiro. Você vai lá e faz o que tiver que fazer, e imediatamente sente-se aliviado. Mas essa não é a lógica que se aplica na experiência. Quando estas sensações chegam até nosso Eu, elas ali ficam por um tempo, antes de ir embora. Sentimos seus "resquícios" por um tempo prolongado, até elas irem sumindo.

Segundo: sentimentos e sensações, nesse momento, são cíclicos e circulares. Como assim? Ok, você tá tendo uma experiência particular, e sente uma enorme alegria. Você se fixa nela. Você começa então sentir alegria, alegria, muita alegria, putamerda quanta alegria, muita alegria, alegria, alegria, pouca alegria, tristeza, muita tristeza, agonia desesperadora, senhor de Deus quero cortar meus pulsos... e isso se torna cada vez mais intenso. E vai "girando"o ciclo toda hora.

Essas duas coisas simplesmente FODEM você. Como diria o mestre Mystery, do livro "O Jogo": "Seus sentimentos estão aí simplesmente pra foder você". E é a mais pura verdade. Ou seja: você sente tristeza. Decide então desapegar dela. Mas você ainda continua sentindo ela, mesmo não se sentindo apegado a isso. Então você se engana, achando que é tristeza que tá dominando, e deixa-se "levar" por ela.

Logo, você se conecta a esse "ciclo" de sentimentos. Depois da tristeza, alegria, e depois tristeza, alegria, e tudo muito intenso, e girando cada vez mais forte... obviamente isso é desesperador. O mesmo serve pra sensações físicas, como dor, vontade de se mover... quanto mais você se liga nisso, mais vai sendo inundado por ela, e trazendo outras sensações juntas. E tudo vai se inundando, dentro de você, num mar de "sensações". Seu corpo então, desespera-se. Seja bem vindo: você está entrando numa peia.

Por que diabos, então, tem pessoas que "entram" numa peia no meio do processo, e algumas já entram logo de início? Tudo depende de algumas variáveis. Primeiro: a intensidade da força. Ela vem em "pulsos" até você. Ou seja, em determinados momentos ela o atinge, e depois, um momento de calmaria... então ela volta, calmaria... só que o pulso dela pode vir com MUITA força. Seu corpo, então, vai ter uma sensação ou sentimento igualmente forte. Uma alegria imensurável. Uma dor imensa. Uma vontade descabida de começar a se mexer. E pra alguns, isso começa logo cedo. Pra outros, isso vem mais tarde. Porém, o resultado é o mesmo: você se conecta a seus sentimentos e sensações, não consegue sair deles, e se inicia uma espiral desesperadora.

Então, primeira lição da firmeza, com minhas palavras sutis e cheias de amor: SEUS SENTIMENTOS ESTÃO AÍ PRA FODER VOCÊ.

Ok, agora como ficam seus pensamentos nisso tudo? É claro, você pensa nesses momentos. Porém, qual o problema? Isso é uma lógica de uma das linhas da psicologia: pensamento gera sentimento e comportamento. (tá, eu sei que não é EXATAMENTE assim, mas por favor, a idéia é essa, não venha me corrigir... sim, você mesmo!).

Então, uma adição no desenho tosco, para refletir isso.

Ou seja, logo que você pensa, saiba que imediatamente você terá um sentimento ou uma sensação física. Ou seja, se você pensa demais, gera isso demais. E já vimos o que essas coisas geram: espiral da peia.

Segunda lição da firmeza: PENSE, MAS SAIBA QUE ISSO IRÁ GERAR SENTIMENTOS E SENSAÇÕES.

Então, o pensar em si não é um causador de desespero, mas o RESULTADO dele sim. Então, é preferível que você pense nos "intervalos" do pulso da força. Porque quando ela pulsa de volta, e seu corpo é inundado por aquele monte de coisas, você pensar só vai adicionar coisas a mais nisso tudo, e isso se torna mais difícil.

Agora, lição final de firmeza (ao menos por enquanto). Ok, você decide ignorar sua natureza humana. Com muita luta, consegue. Meus parabéns! Mas você ainda pode se ferrar. Como? Com as experiências e mirações em si.

Se você se abre pro divino, você vai ser levado cada vez mais longe. E, imediatamente quando decide que quer se "conectar" a uma experiência, ou seja, vibrar da mesma forma que ela, seu lado humano irá gritar em desespero. E já sabe o que acontece, nesse momento, quando ele desespera.

Então, tudo é uma luta constante. É uma manutenção constante do que você tá experienciando, com o que seu lado humano tá experienciando. Ele lhe cobra atenção toda hora, grita, sapateia. A força lhe inunda com ensinamentos, visões. E você, no meio disso tudo.

E agora, o ponto final disso tudo. É impossível você ignorar isso tudo. Desista. Resistir vai tornar tudo mais doloroso. Ao invés disso, você deve apenas deixar seu Eu ser "lavado" por tudo isso, e deixar ir embora. Você não deve se firmar em NADA. Deixe a energia vir até você, e não guiar você. Deixe os sentimentos e sensações virem, mas não os guie por eles. Deixe as coisas passarem por você, e não deixe-se levar por elas, apenas as sinta, aprenda, e deixe as energias seguirem.

Quem disse que era fácil?

Mas agora, meu insight vai além. Vem pra mostrar que, isso tudo que escrevi, não é nada novo. Que fazemos isso diariamente no nosso convívio humano.

Se você pensar bem, o "externo" que citei nos desenhos, não se aplica necessariamente a um âmbito espiritual. É ao mundo externo mesmo! Então, essa lógica se aplica totalmente na nossa vida humana. Apenas troque "energias", "divino", e esses termos, por "pessoas", "situações"...

Ok, vamos começar do básico. Até agora, falei somente como você "sente" isso, porque o intuito era falar da experiência em si. Porém, agora falarei de como você influencia o ambiente, seguindo essa lógica.

Seguindo a mesma lógica do "pensamento gera sentimento e comportamento", vamos agora emitir energia. Quando agimos, emitimos uma "vibração", da mesma forma que a força, só que em uma escala menor. E ela é percebida por nós, através de sentimentos e sensações. Então, chega a nosso organismo, que a emite de alguma forma, e ela chega até outro ser. Ok, desenho tosco entrando em ação de novo.

Quando isso chega até o outro ser, tudo acontece da mesma forma já explicada antes! O organismo dele irá captar a vibração, irá interpretar da sua lógica humana, e isso irá chegar até seu Eu.

Mas obviamente o convívio humano nunca é uma energia vibratória sozinha indo pra outro ser. O convívio humano é algo mais assim...

Isso é em pequena escala. Cinco organismos. Vejam como eles se influenciam, pensam, geram sentimentos e sensações... agora imagine isso com 10 organismos. 20. 100. Uma cidade.

A todo momento, somos inundados por energias a nível espiritual E humano. E qual a maior lição que tive? Devemos ter firmeza na VIDA. Não só no trabalho com o grupo. Na VIDA. Devemos deixar os acontecimentos passarem pelo nosso Eu, absorver seu conhecimento, e deixar eles irem. E não como fazemos: nos apegamos aos sentimentos e sensações que tais acontecimentos geram, e criamos espirais de infelicidade, de insegurança, de medo.

Devemos ter firmeza na vida. A maior das lições até agora.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Dia 2 de maio de 2009 - E o ciclo se fecha (?)


Quinta ida no grupo. E a jornada se mostra extremamente difícil E longa.

Podem ver que demorei pra postar. Mas é que esta ida em especial foi intensa. Muito intensa. Então estava ainda formulando pensamentos sobre tudo que experienciei.

Antes de ir, Z novamente "profetiza" o que ia acontecer comigo. "Você hoje vai cair nos encantos do chá". Isso foi o suficiente pra me dar um arrepio, afinal, da última vez que ele disse algo assim, eu saí rolando no chão, inconsciente...

Mas algo em mim também dizia isso. Dizia que seria MUITO forte. E não me enganei.

Como sempre, de início, eu sempre fico inseguro. "Será que hoje vou ter algo?". Apesar do medo de sentir algo forte, no fundo eu sempre quero algo.

Então após a chamada, o peso da força veio com tudo. Porém, de uma forma bem engraçada. Eu sentia meu corpo diferente, menos a cabeça. E ficou assim por um bom tempo. Era como se a energia tivesse "presa" abaixo da cabeça, e custou a subir. Mas também quando subiu...

Logo logo eu já sentia que a burracheira ia vir com toda a força. E eu ia ficar naquele conflito todo da vez passada. Mexer? Não mexer? E eu fechava os olhos, e via mãos me indicando pro lado aonde tinha o colchão... era um sinal bem óbvio de que eu devia era deitar logo. Já fui e pedi pra deitar, porque sentia que a coisa ia vir com força...

Deitado, fiquei ali muito tempo lutando contra uma sensação ruim. Eu via várias coisas desconexas... as figuras geométricas, as imagens... engraçado que uma imagem que é sempre "recorrente" nesses momentos é a de eu ver vários pontos que vão piscando, e minha visão se aproxima deles, eles tem rostos de pessoas que eu conheço... uma vez eles piscavam em amarelo, dessa vez piscaram em um vermelho escuro. E eles formavam tipo uma ponta de seta com 4 lados que apontava pra mim.

Nem tinha percebido, e o espaço pra beber o chá de novo foi aberto. E foi a concretização da profecia de Z. Fiquei ali deitado pensando "Ah nem vou tomar de novo", e quando vi, já estava de pé, pra receber mais chá. Me foi passado pouco, e instintivamente pedi mais, BEM mais.

Quando voltei e fechei os olhos, sentia uma leveza acima de tudo que já tinha sentido. Eu simplesmente desapareci. E então, tive as mais reais experiências até o momento.

Primeiramente, eu era uma semente. Eu sabia que eu era uma, e não pensava em nada. Nadinha. Eu via as pessoas me plantando, e eu via as roupas delas, roupas de pessoas humildes, da fazenda. Eu sentia várias esperanças depositadas em mim, de que eu crescesse e florescesse. Eu via a terra sendo jogada em mim, sentia o cheiro dela. Eu via depois água sendo jogada em mim. E por fim, eu crescia, via vários galhos e ramos surgindo de mim, em um crescimento bem acelerado.

Isso por si só já seria uma visão intensa. Mas, como aprendi a duras penas, você não pode ficar pensando demais sobre isso. Tem que apenas ver, como um expectador. E, pensando demais nas pessoas me olhando, de cima, que tudo isso se transformou logo...

Agora, eu estava em um hospital. Eu via médicos colocando tubos em mim, me colocando máscaras pra respirar. Eles gritavam, eu estava morrendo. Pessoas choravam em desespero. Era o final da minha vida.

Agora, eu não apenas "vi" isso. Eu SENTI isso. Eu estava REALMENTE morrendo. Sentia meu corpo perdendo a força, a existência. Tudo ia doendo, principalmente o peito, o que me fez achar que era uma parada cardíaca. Mas aos poucos eu ia deixando de sentir isso. Putamerda, eu tava morrendo MESMO...

Aí do nada, mãos de novo. "Mas hein?". É. Apontano pro banheiro.

"Ah não... não acredito...". E as mãos faziam joia pra mim. Como se me dissessem "Tá tudo bem. É a hora". Me levantei e fui pro banheiro. Era hora de fazer uma limpeza.

No caminho, pessoas batiam as mãos nas minhas costas. Sorriam. "Calma, é assim mesmo. Agora vai e deixa isso tudo ir", era como se dissessem isso. Mas que filhos da puta, eu não queria vomitar! Inicialmente cheguei a ficar com raiva disso, porque essas "pessoas" batendo as mãos nas minhas costas, pareciam estar achando tudo tão divertido. Mas parecia que eu não tinha um tiquinho de escolha.

Sentei no vaso e ainda recusava isso. O pior é que não sabia se ia vomitar ou se ia dar uma puta diarréia. Prevenindo, já fiquei "a postos". E então...

... nada. Fiquei um puta tempo lá dentro, e NADA. E foi lá que finalmente entendi algo citado ali em cima. Não posso "viver" essas coisas, pensar sobre elas... tenho que apenas ver. Ser neutro perante a isso. E senti você pode ser levado a uma peia por isso. Por você viver demais, ver demais. E então, subitamente, as mãos me mandavam pra fora do banheiro. Será que tinha aprendido a "lição"?

Que nada. Deitado de novo, as sensações continuavam. A lição era outra agora. Firmeza. A força te balança de todas as formas possíveis, e você tem que buscar firmeza sabe-se lá daonde. Eu fiquei boa parte do tempo olhando pra um cara que tava sentado perto de mim, porque sentia que se não fizesse isso, ia me levar por essas coisas ruins, e aí, limpeza...

Eu comecei a sentir o que era essa coisa ruim. Eu fui me deixando levar pra ver o que era. E então, novamente... cachorros. Eu ia sendo transformado em um cachorro. Mas dessa vez, era um cãozinho doméstico. Eu sentia o cheiro do pelo, sentia "minha" cauda balançando alegremente. Via pessoas colocando leite pra mim.

E isso me deixava inconformado. Eu não queria, de forma ALGUMA, ser um cachorro. Não me perguntem porque, mas isso me revoltava. Eu só conseguia sentir angústia em me tornar alguém domesticado. Era essa a coisa que vinha no meu coração, quando imaginava-me tornando um cão. Domesticado. Passivo. Ingênuo.

Não que eu ache que todos os cachorros sejam assim, mas é essa a imagem que me veio na hora. E a dor que isso me dava, era inexplicável.

E então, me veio o pensamento. "Cara, eu tenho um certo controle sobre isso. Eu não quero ser um cão! Não quero! Eu quero ser um felino, um gato!"

E como mágica, tudo foi-se... todas as coisas ruins, todas as angústias...

Quem me conhece bem, sabe como eu adoro gatos, e felinos no geral. Na verdade, acho que vai além disso. Eu sinto quase como uma conexão com eles. Então, a compreensão de que eu tenho um certo domínio do que vivencio, veio acompanhada de um presente maravilhoso.

Eu ERA um felino.

Inicialmente, eu era um gato. Eu recordo que a primeira coisa que tive, foi a sensação de brincar com a presa. E eu gostaria de descrever pra vocês o quão FELIZ isso é. Agora entendo porque gatos passam tempos e tempos fazendo isso. É tão divertido, que eu tinha vontade de rir feito uma criança.

Mas eu não ria. Porque não? Por acaso gatos riem? Nessa hora, eu ERA um. Eu mexia o nariz, e sentia os bigodes. Sentia o pelo. Eu vivenciava coisas de gato. Então, eu não "pensava", de uma forma humana, lógica, racional. Eu era envolto de sentimentos animalescos. Existe um pensar nos animais, mas é quase como um "pensar sentindo". Então quando eu via meu ratinho, minha presa, eu não pensava "Ah rato safado, eu vou pegar você agora...", enquanto olhava pra ele e apontava minhas garras. Eu sentia isso.

A existência como gato é tão boa. Você não se preocupa com nada além do que te deixa bem. Você caça, pula muros, mia, ronroa, dorme... não existem as inúmeras e inúmeras preocupações humanas. Aliás, não existe preocupação. Isso é uma sensação tão humana.

Eu senti todo o orgulho felino que passa diante de um gato. Eu peguei o rato, e comi ele (que coisa mais saborosa). Então, sentia que outros se aproximavam, e arrepiei meu pelo. Nessa hora, eu, no meu pensar felinesco, era um felino ULTRA poderoso, e rosnava. Será que gatos sentem isso na hora?

Além disso, eu via várias coisas acontecendo ao meu redor, e sentia algo como "Isso não é digno da minha preocupação". Afinal, eu era um felino, superior, radiante.

E, subitamente, eu era um tigre. Estava na selva. Sentia o peso do corpo de um tigre, sentia a relva passando nos meus pelos. Meu rosnado agora era poderoso. Eu caçava uma presa, e agora não era uma brincadeira, como um gato fazia. Era quase uma arte. Meu corpo cintilava com uma energia vibrante, enquanto andava calmamente pela selva. E sim, eu estava deitado no colchão, e fazia todos esses movimentos. Pra quem tava olhando, deve ter sido bem engraçado...

E então, eu era um leão. Sentia a juba enquanto mexia a cabeça. Sentia-me o senhor das selvas. E em uns momentos, eu era como se fosse um misto de todos os felinos. Eu era A representação do que é ser um felino. E então, veio o melhor.

Aconteceu duas vezes. Pessoas dizem que os animais não tem uma espiritualidade, porém eu VIVI isso. E não era a minha espiritualidade sendo vivenciada dentro de um animal. Era a conexão com Deus, de um animal. Era algo muito forte e gostoso. Eu olhava pra cima, e via uma energia vibrante, iluminada, percorrer todo o firmamento. E eu SABIA que era Deus. Sabia que ele olhava por mim, me amava. E o melhor? Eu não precisava ficar preocupado com isso. Afinal, eu SABIA.

Não era como um humano, que busca isso de uma forma tão desesperada. Como se quisesse prender Deus dentro de si. Prender aquela conexão com Deus, aqueles momentos de conexão com Ele. Como felino, eu senti que não precisava disso. Isso é algo que surge do nosso medo humano de sermos deixados sós. E, naquele momento, eu sabia que NUNCA seria abandonado por Ele.

Foi uma puta lição sobre como encaro, e como encaramos, nossa conexão com Deus. Eu olhei pra ele, dei um "tchau" felinesco, e segui o curso da minha existência. Não tinha que me preocupar. Eu SABIA que ele estava dentro de mim, e que eu era parte dele. Então, pra que desesperar? Se nós, humanos, conseguíssemos fazer assim, tudo seria tão mais fácil. Porém, como fazê-lo, em meio a tantos medos, receios, inseguranças...

Acho que esse é um dos pontos principais da nossa evolução, como seres humanos. E o mais engraçado é ter percebido isso de um ser dito como "inferior". Espiritualmente, posso sentir que a humanidade está MUITO mais inferior do que um animal. Se aprendermos a simplesmente "ser"... tudo se tornaria bem mais simples.

Custei a deixar essa burracheira ir embora. Afinal, eu amo felinos! E ser um foi o maior presente que poderia ter. Saí de lá BEM tarde, mas com a sensação de que tinha fechado um "ciclo". Parece que todas as experiências anteriores culminaram nessa última, aonde tive vários aprendizados.

E que venha o novo ciclo...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Domínio de energias, pt 2


É, eu ando um imã gigantesco de acontecimentos esquisitos. Mas eu também vou atrás, não sou santo... curiosidade científica!

Bem, após ter entendido como meus chakras estão uma bagunça, eu fiz o mais racional: bagunçá-los mais ainda. Estava eu aqui ontem deitado, ouvindo umas músicas que Z havia me mandado. Não são músicas normais, são músicas que mexem com seus padrões de energia, lhe abrindo canais, fechando, etc. Obviamente, eu estaria ouvindo músicas de abrir os canais de energia... claro, eu tenho que ficar fazendo que nem uma criança, tenho que ir e desmontar a TV, aí quando ela dá choque, corro pro meu pai ou minha mãe... que nesse caso, é meu padrinho. Pobre Z, anda tendo tanta paciência com seu afilhado desastrado...

Enfim, após ouvir umas 3 músicas, lembrei de uma coisa. Lembrei de uns exercícios de energia, da época que fazia Kung Fu. "Mas que hora mais oportuna pra ter lembrado disso", pensei comigo mesmo. Afinal, com meu fluxo de energia tão intenso, tais exercícios se mostrariam interessantes. Além do mais, queria saber como ia ser. Na época do KF, eu custava ter resultados. Como seria agora?

Comecei fazendo um bem básico, chamado tubular. Não, não vou dar detalhes dos exercícios, não quero ninguém tendo experiências malucas fora do controle. E foi impressionante, logo no começo, já sentia um enorme calor, no corpo inteiro, e uma sensação de formigamento bem forte nos pés. Porra, na época do KF eu custava chegar nisso, então é lógico que fiquei empolgado.

Continuei com este exercício, daí lembrei de outro: um exercício para o terceiro olho. Na época, meu professor mandou eu ter cuidado com este exercício, porque ele abre você bastante pra influências externas. Claro que eu ignorei essa parte.

Fiz um pouco dele, e senti resultados imediatos. Sentia um misto de tontura e leveza bem grandes, além de umas coisas estranhas... eu estava de olhos fechados, no meu quarto, que estava com as janelas também fechadas. Então, ver clarões, num ambiente aonde tudo tá escuro, é sinal de que "algo" tá acontecendo.

Depois desse, na verdade eu meio que "improvisei" outro exercício. Lembrei de um exercício básico pro Tan Tien, um ponto abaixo do umbigo, e usei de sua lógica pro chakra da coroa. E deu certo, e mais do que eu queria.

A sensação de leveza/tontura continuou. E então, subitamente, um barulho: SHHHHHHHHHHHHHHHHH!

Sabe como se tivessem mandando alguém calar a boca? Pois é. Era como se tivesse sido do lado do meu ouvido. Agora, lembrando mais uma vez. Eu estava dentro do meu quarto, tudo fechado, e do lado de fora, só havia o mais sepulcral silêncio (16 hrs da tarde, meu bairro é bem pacato).

Logo em seguida disso, muitos gritos. Vários. Começaram baixinho, e iam aumentando. Eu me lembrei de meu vizinho, que adora colocar música sertaneja no talo, e ficar ouvindo essa porcaria no último volume. Porque lembrava tanto aqueles inícios de cd ao vivo sertanejo, com o povo gritando... exceto que o grito ia meio que "girando". Pareciam gritos de dor, de sofrimento, algo muito forte. E ia "girando" o som, ia ficando agudo e depois grave, baixo e depois alto... até sumir do nada.

"Eu não creio que isso seja um cd de música sertaneja..." - pensei. Porém, logo em seguida...

SHHHHHHHHHHHHH!

E os gritos de novo. Baixinhos, e iam aumentando. Mas que porra? Desta vez os gritos ficaram um pouco "longe", ou seja, eu não os ouvia tanto assim. Daí, me veio a sensação de que isso era uma "sintonia". Como se fosse uma sintonia de rádio, e eu tivesse que me esforçar pra me sintonizar nela. Pensando bem, isso cai num dos conceitos já explicados no grupo: sua mente trabalha em várias vibraçoes, e quando você entra em uma vibração diferente, percebe coisas diferentes. No caso, eu tava percebendo muito sofrimento...

E parou. Porém, não demorou de novo... SHHHHHHHH! E de novo os gritos. Aí foi demais, mandei tudo pra pqp e abri os olhos. PADRINHOOOOOOO!

Eu achei que tava era ficando maluco, mas o fato é que eu só tava, mais uma vez, mexendo com coisas e "recebendo" o que não imaginava. É foda, porque é um caminho TÃO novo, tão diferente, que você não faz nem idéia do que pode e o que não pode. Do que vai acontecer e o que não vai. E eu, fico perdido nisso tudo.

Aguardem novos acontecimentos malucos. Sério, eu prometi não fazer nada, mas do jeito que as coisas andam, se eu ler um gibi da Mônica, eu vou ter alguma coisa...

terça-feira, 28 de abril de 2009

Domínio de energias


Comecei a perceber uma coisa estranha e engraçada nesses dias. Aliás, é algo que já vem acontecendo a tempos, mas só agora fui meio que "entender" o que era.

Desde as primeiras vezes que tive a experiência com Ayahuasca, pude sentir que, aleatoriamente, meu humor era tomado por uma força maior. Em alguns momentos, minha intuição aumentava de tal forma que parecia me guiar... eu simplesmente "sabia" das coisas. Em outras, eu falava coisas sem entender muito o sentido, mas sabia que deveria fazê-lo. Em uns momentos, sentia um amor tão forte, uma quentura no peito...

Ok mas que porra é essa? Sinais de surto psicótico? Bem, ou estaria eu realmente perdendo a sanidade, ou era outra coisa. O problema era só ter uma "outra coisa" pra me basear, e não ficar achando simplesmente que eu estou pirando.

Mas isso nunca foi uma preocupação muito grande. Se isso é "normal" ou não. São experiências boas, então acho que, estando doido ou não, eu deveria é aproveitar isso tudo.

Mas finalmente tive um insight sobre isso. Esse chá tá brincando de aumentar a força dos meus chakras, em momentos bem aleatórios.

Acho que mesmo o mais leigo no assunto deva ter ouvido falar sobre os tais de chakras, que são pontos de bastante energia no nosso corpo. No total, são 7. O que a maioria não sabe, é que cada um deles tem uma influência no nosso comportamento. Se um está muito ativo, você tem uma tendência comportamental. Se ele está inativo, outra.

Pra entender melhor o que é o que, uma foto feliz. Em inglês, mas vou fazer um resuminho básico depois dela:


O primeiro chakra tem relação com estabilidade, sobrevivência. O segundo, com a sexualidade. O terceiro com as emoções e tensões. O quarto, com compaixão, amor, unidade. Quinto, com a comunicação, síntese de idéias. Sexto, com percepção e intuição. Já o sétimo tem uma conexão com uma compreensão maior das coisas, é dito que ele é uma "porta" pro mundo superior.

Bem, após perceber isso, vi como meus estados de alteração estavam sempre ligados com algum deles. Intuição muito forte? O chakra do terceiro olho com muita força. Subitamente, eu falo coisas que não me fazem muito sentido, mas acabo falando? O chakra da garganta. Uma sensação de amor muito forte? Chakra do coração.

Nem me perguntem como eu fico quando o segundo chakra, o sacral, aumenta sua intensidade...

Ou quando você resolve ser preenchido por uma sensação de paz e amor enorme... no meio do trânsito, dirigindo.

Espero que existam guardas de trânsito capazes de captar meu amor transcendental...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Iluminação inesperada

Bem, devida a uma série de eventos que logo escreverei sobre, vejo que finalmente entendo algo importante. Que devo, sim, domar meu "cão" quando a força vier. Isso é algo que com certeza vai ser mais difícil do que eu imaginava, pois se compreender já é difícil, seguir a trilha que essa iluminação mostra é mais ainda.

Eu já tinha compreendido isso totalmente. Mas, ao ver um certo vídeo, senti que tinha acabado de ter o argumento final pra essa discussão. Uma pequena amostra de como essa força brinca de marionete com as pessoas, e que temos que ter um puta controle.









O contexto pode ser diferente, porém, eu percebo que a origem dessas coisas é a mesma. Uma bela dose de força passando pelas pessoas.

Ah vai, não faz essa cara de "Que feio isso", é engraçado...

Tai chi imaginário

Post sucinto, só pra dizer que acordei duas vezes em meio de sonho, fazendo o "Tai chi imaginário" que fiz na quarta sessão que fui. Eu nunca fui de mexer quando durmo, e muito menos quando sonho. Porém, já foi a segunda vez que acordo e tô lá, mexendo as mãos, regendo minha orquestra imaginária, mexendo os braços de forma circular.

Será que existe alguma relação entre essa "força" e a forma circular? Bem, na Geometria, o círculo é considerado a forma "perfeita". Se você for evoluindo as formas (de triângulo pra quadrado, de quadrado pra pentágono, etc), tudo vai ficando cada vez mais circular. Quanto mais lados uma figura, mais "circular".

O mais engraçado é a sensação gostosa que dá ficar mexendo assim.

Mais engraçado seria minha mãe entrar do nada e ver eu mexendo assim. Provavelmente pensaria "É, é o fim. Meu filho se tornou um completo retardado!"

Agora em uma nota não relacionada a círculos, após muito encher o saco, me passaram uma das músicas que tocam nas reuniões. Porque ela é simplesmente linda. Não coloquei no post da última reunião isso, mas... quando tocou ela, foi a hora mais difícil. Porque queria não mais me movimentar como um cão... dava uma vontade IMENSA de ajoelhar e colocar as mãos pra cima, como se tivesse "louvando" Deus... como se quisesse pedir perdão.

Mas o pior é que, quando ouvi ela normalmente, tomei um puta susto. Porque estava esperando os violinos entrarem, as flautas, os pássaros, o barulho de selva, das águas... e a música é só um violão com o cara cantando. Como assim velho? Eu ouço isso tudo NITIDAMENTE quando tô lá no grupo.

Essa música tem uma conexão bem grande comigo, deve ser por isso que ouço esse tanto de coisa. Com nenhuma outra eu pareço ouvir algo "de mais"...

... ao menos assim acho eu.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O segredo



Moda a muito tempo, O Segredo é um livro que sempre me causou uma repulsa imensa. Um misto de auto ajuda com religião, ele tem como intenção falar da lei da atração, de como seus pensamentos atraem coisas.

Bem, eu sabia disso e nem tinha lido o tal livro. Por um acaso, achei ele num lugar muito inesperado: aonde faço estágio, no meio de livros de Farmácia. Resolvi pegar de curiosidade e ler o troço. Afinal, se você quer realmente criticar algo, tem que conhecer a fundo, não é mesmo?

Peguei ele na sexta feira. Li o primeiro capítulo, e nem encostei depois. Acabei me distraindo com outras coisas. Segunda feira eu tinha que entregá-lo, e só então resolvi ler.

E, pra ver como ando tomando tapas na cara, a coisa me fez tanto sentido que foi assombroso. Claro, ainda vejo muitas falhas no livro. Ele se esforça tanto pra se justificar, que é até penoso. Parece as vezes uma criança pequena dizendo "Olha olha, acredita em mim!" quando fala que o bicho papão tá no armário. Exceto que, nesse caso, ele realmente está no armário.

Muito antes de começar a mexer com a Ayahuasca, na época que eu fiz Kung Fu, eu tive alguns eventos que essa "Lei da Atração" tomou rumo e fez algumas coisas acontecerem. Eu sinto que minha vida eu tive momentos de "picos", aonde as coisas realmente eram estranhas, e momentos de baixas, aonde nada de estranho acontecia. Na época do Kung Fu, parecia um desses momentos de picos. E agora, também.

Pra exemplificar, um evento aonde a Lei da Atração se fez valer, recentemente. Tive um envolvimento bem conturbado com uma garota, a um tempo atrás (que chamarei de J). As coisas meio que não acabaram muito bem entre a gente. Eu ia no grupo (mais precisamente, na terceira vez), e minha namorada ia num evento na faculdade daqui. Ela não é muito fã dessa menina.

Nesse dia, subitamente, me veio o pensamento "Ela vai estar lá na faculdade". Eu não tinha dúvidas. Eu via ela lá, eu já aceitava o fato que ela ia estar lá. Não deu outra. Minha namorada veio falar que ela apareceu por lá mesmo.

Outro exemplo. Antes de ir na quarta sessão, pensei no amigo X. E pensei "Algo me diz que dessa vez vai ter algo bem forte com X", e depois até falei pra minha namorada. Bem, ao saber depois que X fez uma limpeza no banheiro e ficou abraçado com o vaso, tendo que ser carregado de lá, senti que eu acabei acertando novamente.

Eu fiquei me sentindo muito identificado com isso tudo, então resolvi colocar em teste. Enquanto lia, senti uma força que me dizia que eu logo veria J novamente. Então resolvi testar essa coisa. Fechei os olhos, e comecei a fazer da forma como dita no livro. Agradecia por tudo que tinha, e pedia algo. Pedi uma chance de encontrar J. Enquanto fazia isso, visualizava eu realmente vendo ela. Foi ótimo, porque eu acabei meio que pedindo desculpas de um monte de coisas que fiz.

Senti aquele calor típico de quando se faz algo que envolve energia. E então, meus braços começaram se mexer! Sentia aquela "força" mover meus braços lentamente, e quando vi, eu estava com eles de um jeito que lembrava um abraço! E então expirei, e eles se juntaram no meu peito, no meu coração.

Quando respirei novamente, senti que eles iam abrindo, como se quisesse ficar de braços abertos. Mudei de posição, porque da forma que tava não conseguia abrir os braços direito (eles esbarravam na parede). E pensei que não conseguiria sentir isso de novo. Mas, fechei os olhos, respirei fundo... e meus braços de novo sentiam uma força os mover, abrindo-os. E então, de novo, abracei "algo", enquanto imaginava vendo J e pedia desculpas pra ela.

Abri os olhos, com a certeza de que a veria e falaria isso. Quando isso acontecer, prevejo mais um post aqui.

domingo, 19 de abril de 2009

Dia 19 de abril de 2009 - E o monstro toma forma...




Desta vez, o chá seria diferente. Era um chá do Acre, e como diria Z, "Feito com raízes que devem ser bem mais velhas do que voce". Já estava avisado que seria algo forte.

Desta vez, tinha pouca gente. O que foi ótimo, ficou um ambiente mais tranquilo. O chá do Acre realmente era forte... o cheiro já era bem mais forte, e o gosto bem mais amargo. Bem, mas isso nem deve ser lá tããão forte assim né? Ledo engano...

Nesse dia, eu cheguei lá um pouco chateado, devido a alguns eventos, porém bastou uns minutos lá, e eu me sentia já bem calmo. Eu, que sempre tive dificuldade pra relaxar e meditar, conseguia fazer isso até com tranquilidade. Mais mudanças notáveis...

O efeito veio mais rápido do que imaginava. Na verdade, veio MUITO rápido. Quando fizeram uma Chamada, já senti a força tomando conta do meu corpo. Puta merda, esse treco é forte pra caralho mesmo! Na experiência passada, relatei que comecei a respirar forte, e ia mexendo meu corpo. Pois é, logo em uns 10 minutos já sentia isso. Porém, me segurei, não tava afim de passar pela mesma coisa.

Mas tava muito forte. MUITO. Eu ficava uns segundos parado, e logo sentia-me impulsionado a me mover. Quando fizeram outra chamada, foi quando bateu mesmo. Comecei, instintivamente, a mover meus braços, fazendo um "tai chi imaginário" enquanto faziam a chamada. Logo em seguida, respiração forte de novo... não veio o "manto negro", porém, a sensação era a mesma.

E nas mirações, tudo seguia um tema, e se repetia constantemente. Primeiro, eu via mãos. Muitas mãos. Na verdade eu sempre via pessoas em várias poses estranhas, umas meditativas, outras pareciam que elas estavam cultuando uma força superior, outras elas estavam paradas em poses infazíveis... mas o destaque sempre era pras mãos. Mãos, mãos, mãos.

Em alguns momentos, elas apontavam pra uma direção. Apontaram MUITO pra cima. Seria um chamado? Que eu devo ascender? Ainda não consegui abstrair tudo, porém me pareceu assim. Quando "olhava" pra cima (ou seja, apenas mexia a cabeça pra cima, de olhos fechados), sentia uma luz muito forte acima, e um calor grande... bem, já sabem o que é essa experiência... sentia que Deus estava me olhando, em umas horas.

Mas, quando eu começava a me deixar levar por isso, logo vinha os desejos de me mover, juntamente com a respiração forte, ofegante. Meu coração batia a mil. E então, comecei a sentir um frio imenso. Mas imenso, de bater o queixo, na verdade eu posso dizer que nunca senti tanto frio na vida. Quando eu começava a me mexer, mexia tremendo!

E o impressionante é que em um desses momentos, comecei a ver T, um dos fardados, em uma das posições com as mãos para cima, em uma pose estranha. Vi ele, e passou um tempo, ouvi ele me chamando. Quando vi, ele estava me oferecendo um cobertor.

Me cobri e continuei de olhos fechados. E aí começou algo que foi um insight e ao mesmo tempo uma bela interrogação.

Novamente, começava a vontade de se mover. Era MUITO forte! E eu me movia, era gostoso! Era bom me deixar levar e mover dessa forma esquisita. Porém, me falaram duas vezes: "Firma no seu coração". O que diabos era isso? Não fazia sentido nenhum isso pra mim...

Mas, com o passar do tempo, sentia que um elo começava a se formar. Eu via uma linha branca que ligava meu coração a mim. E ele pulsava com força, era muito quente. Quando eu começava a me mover, e me sentir tomado por esse desejo, me recorria a essa linha, e meu coração empurrava esses desejos "pra baixo".

Porém, isso gerou um conflito. Firme no seu coração. Ok, mas... parte dele quer perder o controle! Parte do meu coração queria que eu simplesmente começasse a mexer e ver até onde ia dar.

E então, entendi uma coisa. Minha segunda, terceira, e esta experiência, estavam ligadas. Elas tinham o mesmo tema! Ok, isso não deve estar fazendo sentido algum, então deixe me explicar...

Comecei a perceber minha movimentação... respirava fundo, e começava a "cavucar" de dentro da coberta com as mãos, querendo livrar elas... elas saiam, e começavam a fazer um movimento como se meus braços fossem patas... e minhas pernas logo começavam a se mover assim também! Era como se eu tivesse movendo feito um cão!

Então me lembrei que minha amiga (que infelizmente não pode ir, mas... tudo a seu tempo, né?) disse que, na vez passada, quando caí, eu fiquei exatamente assim, como se fosse um cão correndo!

E, na segunda experiência, quando virei uma estátua, eu vi algo preto querendo sair de dentro de mim, "cavucando" por dentro, mas ficava dentro, olhando pela boca...

Por um acaso, eu me imaginava um cão preto, feroz... como um Doberman. E quanto mais me deixava levar, mais eu ficava com gana de andar e agir como um cão. Eu literalmente me via até babando, sabe quando um cachorro vem todo puto de raiva pro seu rumo, correndo e babando? Imagine um Doberman assim. Eu me sentia exatamente desse jeito.

As mirações nesse dia tiveram um padrão circular: eu primeiramente relaxava, e começava a me sentir bem. Essa sensação ia tomando conta, e eu ia perdendo noção do corpo, ele sumia. Eu via vários círculos amarelos, que piscavam. Quanto mais se aprofundava esse estado, mais minha visão chegava perto dos círculos, e eu via fotos de pessoas que conheço. E ia ficando muito próximo, a nível de ver os "átomos" dessas fotos. Nesse meio tempo, as visões eram sempre de mãos. Então, eu, em meio a essa "perdição" de corpo, sentia vindo por baixo disso tudo essa vontade de mover como um cão... era como se ele quisesse me dominar a todo custo! E era um conflito muito grande, porque parte de mim queria que ele tomasse conta, me sentia bem com isso, e outra parte era a que impedia.

Todas as visões das 3 últimas vezes estavam me apontando isso. O "manto negro" era esse cão. Esse cão, na verdade, é algo dentro de mim que ainda não entendo bem. Meus desejos? Raiva? Mágoa? Não sei, porque eu sentia que era bom me deixar levar por ele. Porém, ele aparentava estar furioso. Será que no fundo eu quero me deixar dominar por um instinto agressivo, porém me controlo? É isso que está dentro de mim?

Após isso, eu abria os olhos. Essa luta era muito intensa, e quanto mais passava o tempo, mais eu sentia que ia perdendo, que ia ficando difícil. Porém, bastava uns segundinhos... e lá estava eu de novo, me relaxando, mãos aparecendo, corpo sumindo, círculos amarelos surgindo, respiração muito forte, eu movendo...

Foi difícil. Quando o trabalho acabou, minha burracheira não foi embora. Eu ficava de pé, e sentia uma energia muito forte passando no meu peito, e que queria me fazer "girar". Aliás, nesse dia tudo em forma de círculos parecia me agradar. Nota irrelevante: eu fui no banheiro, e comecei a fazer tai chi imaginário em pé... fazendo círculos no ar, com as mãos... eu nem percebi que tinha começado, mas era tão bom...

Ser levado por essa força é muito bom. Eu sou alguém que tenta se controlar o tempo todo. Então, ser apenas uma marionete nas mãos dessa energia, era bom. Queria poder ter me deixado levar totalmente, mas não sabia que eu podia pedir pra deitar. Uma coisa que acontece, é que se você deita, você se sente mais seguro. Nas cadeiras, é uma sensação de exposição muito forte. Fora que deitado você pode ficar mexendo.

Esse é meu conflito. Eu queria ser um Doberman furioso. Obviamente, isso não é tão simples assim. Isso significa algo dentro de mim. Eu só preciso agora fazer o mais difícil: entender toda essa informação.

Mas, faz parte do processo...

domingo, 12 de abril de 2009

Dia 4 de abril de 2009 - Um é bom, dois é pouco, três é DEMAIS


Nada como um título clichê para começar a história.

Lembra que disse em um post passado que conheci o significado "Chicote das Almas" em um dos encontros? Bem, este foi o encontro.

Background para entender como eu fui tolo. Eu tinha levado uma amiga comigo. E a gente tinha combinado de ir numa festa, depois do encontro. Em minha cabeça, os encontros sempre acabam em um determinado horário, então eu ia conseguir ir na festa tranquilo.

Porém, dias antes, Z me desafiou a tomar duas doses cheias de chá. Dizendo ele, isso iria me fazer ir o máximo possível pra dentro de mim. Que seria bem forte. Eu aceitei o desafio, claro. Pensando depois, parecia que tava tudo se encaixando pro chicote bater com toda força...

Estava lá eu pela terceira vez. Por dentro, tava me sentindo até um pouco mais "sábio", estava sendo um pouco responsável pela minha amiga. Quando você leva alguém, você é o padrinho dela, é meio que um "responsável" por ela. Então, eu me sentia "mais".

O lugar estava mais cheio que de costume. Eu me senti estranhamente mal naquele dia, devido ao número de pessoas. Coisas como essa já estavam ficando "normais" pra mim, essas sensações estranhas. Então, apenas encarei como uma abertura minha pro clima do ambiente. Nem pensei muito sobre isso.

Então, é chegada a hora do chá. Como prometido, tomei uma dose cheia do negócio. Sentei-me nas cadeiras, e lá permaneci, esperando de tudo.

... uma hora e nada. Nem um relaxamentozinho. Mas hein? Esse negócio não devia tar certo, cadê a viagem pra dentro de si? Fiquei o tempo todo esperando algo, e nada. Observava minha amiga, e ela estava parecendo se divertir muito. Fiquei feliz por ela, mas com inveja. Aquele não parecia ser meu dia.

Mais pro fim, comecei finalmente a sentir aquela mesma coisa de antes. Um relaxamento, e em seguida, muitas figuras geométricas, muita coisa. O engraçado é que eu não me dei conta de que estava vendo algo, inicialmente. Foi algo assim... "Ah nem... nada até agora... o que ser-peraí, eu tô vendo! Finalmente posso relaxar agora, eu tô vendo as figuras!"

E então relaxei, e fiquei naquele estado de ser confortável. Esse momento é legal, você esquece tudo ao seu redor. Olha só pra si. É um estado bem introspectivo.

E então despertei do nada. Acordei com tudo escuro, e pessoas indo tomar o chá de novo. Eu nem percebi que já tinha dado o tempo. Fui lá, e tomei outra dose do chá, dose cheia.

No momento que me sentei, o gosto amargo do chá parece que triplicou. Era tão forte, que eu fiz uma careta horrível. Eu senti, naquele momento, que algo estava diferente. Eu estava num estado de hiper sensibilização, e só fui perceber depois. Eu mal havia tomado a outra dose, e parecia que já tinha dado efeito, mas como se tivesse jogado uma pedra de concreto numa mesinha frágil de vidro...

E então, sentado, comecei a relaxar. E relaxar. E isso foi ficando forte. E de repente, minha audição começou a ficar alterada. A música ficou rápida, rápida demais. Meu coração batia com tanta força, parecia que tinha corrido uns 10 quarteirões sem parar. E então, eu sentia como se tivessem me "puxando" pelo peito. E quando isso acontecia, eu puxava o ar com toda a força, e ficava todo arqueado na cadeira, e quando expirava, sentia que essa "força" me soltava e eu ficava todo mole na cadeira de novo. E então, mais uma vez. E mais uma. E eu tinha consciência disso tudo. Sabia que tava caindo da cadeira. Mas então veio o pensamento "Deixa acontecer", e eu deixei...

E então, o vazio. Não sei quanto tempo fiquei desacordado. Eu poderia pensar, depois, que eu tinha desmaiado. Porém, não foi bem o que contaram. Disseram que eu caí, e comecei a debater, debater com força. E como o lugar tava cheio, óbvio que comecei a bater nas cadeiras em torno de mim, então as pessoas que ficam lá pra auxiliar, foram lá me conter. O negócio é que foram três pessoas me conter, e não conseguiam. Uma delas, inclusive, é bem forte, e depois ficou me dizendo "Você é forte hein? Que isso". Falaram que eu jogava ela longe... quem me conhece, sabe como eu sou magro. O que estava ocorrendo ali... não faço idéia.

Então, comecei a ouvir. "Yama... Yama... Yama...". E despertei um pouco. A música, era como se ela viesse em formato de espiral nos meus ouvidos. Toda retorcida. Eu sabia que tinham 3 pessoas em volta de mim, porém, sentia como se umas 10 mil mãos estivessem ao meu redor, me pegando. Eu pensei que devia ser uma das pessoas que me conhecia da internet, pra me chamar de Yama.

"Volta, volta!"

Uma voz diferente. Eu sentia que ainda tinha um pouquinho de consciência e controle, mas eu não queria voltar, seja lá pra onde fosse... então as palavras saíram de mim:

"Não, me deixa! Me deixa! Eu não quero voltar, não..."

"Volta! Volta agora! Volta!"

E então abri os olhos. Eu me vi, pela primeira vez, no chão. Mas estava todo anestesiado. E então, me vi sendo carregado. Tudo era como se fosse um filme cheio de cortes. Eu me vi no chão, e logo em seguida, me via sendo carregado. Eu não me lembro de ter fechado os olhos nesse processo. Mas não me vi sendo colocado nos braços de um dos caras, levantado...

Quando me vi de novo, estava deitado. Na minha frente, uma mulher que ajuda nos rituais, passava algo na minha testa. E então dizia "Calma, calma, é a burracheira, é assim mesmo".

É assim mesmo? Só ali então fiz idéia do que estava acontecendo. Tudo aquilo que havia vivenciado foi importante, realmente. Porém... só nesse dia eu estava vivenciando a chamada "força estranha" em todo seu esplendor. Como falavam no grupo: "As pessoas vem até aqui achando que é brincadeira, mas chega uma hora e a brincadeira não começa...". Eu finalmente tinha percebido como aquilo ali não era brincadeira...

Eu ficava deitado, e mudava de posição constantemente. Nada era agradável. Eu suava, suava bicas. Respirava com força. Minha visão, era como se tudo estivesse desfocado. Sabe quando você vê um filme, e um personagem aparece bem na frente da tela, aí algo aparece atrás, e então desfoca-se o personagem da frente pra focar no que está atrás dele? E o personagem na frente fica embaçado? Eu via TUDO daquele jeito. Se eu fixasse a visão por mais de uns 2 segundos em algo, esse algo começava a ficar distante... largo...

O som... eu ouvia tudo daquela forma que falei. Como se fosse em "espirais". Eu tenho certeza que ouvi sons nas músicas que não existiam. Eu sei que não vai ser uma boa explicação, mas em alguns momentos, a música deixava de ser em "espiral" e se tornava "Cristalina". Era como se os sons fossem sons de cristais...

Mas o pior era a sensação forte no peito e no estômago. Era como se meu estômago estivesse constantemente embrulhado. Além disso, comecei a sentir algo pior ainda. Eu, de olhos fechados, sentia como se um "manto negro" viesse pelas minhas costas, e me envolvesse. E ele me puxava, puxava com força pra algum lugar que eu não queria ir. A medida que ele me envolvia, eu sentia meu estômago piorar, e meu peito ficar mais comprimido. Então eu resistia.

Finalmente entendi do que se tratava. Aquilo não era nada estranho. Era eu mesmo. Eu estava me puxando pra dentro de mim, pra um embate. Ia entrar em contato com o pior que havia em mim. Mas, eu me sentia tão frágil! Tão fraco, tão despreparado... sentia que ia acontecer algo ruim se eu me deixasse levar.

Me firmei em pensamentos pra não ir com isso. Bem, além disso, eu xingava internamente. Pra que DIABOS eu fui tomar essa porra? Nunca mais eu venho aqui! Essa é a pior sensação do mundo! Eu parecia que estava morrendo. Não tinha muito controle sobre mim. Eu era agora apenas levado pela "força estranha". Parecia que meus movimentos não eram naturais, era como se algo "empurrasse" meu corpo a se mover. Como me arrependia de ter tomado esse chá!

Então, eventos estranhos aconteceram (é, nada estava estranho o suficiente...)

Antes de eu entrar nesse estado, uma garota começou a passar mal com muita força. Ela começou a fazer uma limpeza, e vomitava sem parar. Adivinha quem apareceu do meu lado, no colchão que eu estava?

Acordei com o mestre falando "Dá um espaço aí pra colocar ela deitada". E então, com aqueles movimentos esquisitos, saí e fiquei sentado, e ela deitou. Apaguei, e me vi olhando pra ela, e ela olhando pra mim. Ela pergunta "Você está bem?" e eu "Não". Eu sentia que queria entrar dentro dela. E pior. Sentia que ela queria também entrar dentro de mim...

Acordei depois, e via ela tentando mexer com um piercing dela. Descobri esse piercing jogado do meu lado depois... no meu bolso.

Então estava eu de olhos fechados, quando um pensamento estranho veio. "Essa menina vai pegar no meu pau". Quando abri os olhos, adivinha... a menina, de olhos fechados, apalpava minhas partes íntimas. Ela nem devia saber aonde estava. Mas foi estranho, MUITO estranho. Porque na hora, eu não senti nada sexual. Nadinha. Eu só consegui pensar "Meu Deus, se minha namorada ver isso..." e tirei a mão dela do lugar.

E então, fechei os olhos. E outro pensamento veio. "Ela vai amarrar meu cadarço". Quando abri os olhos, ela estava em vias de ir e amarrá-lo, e realmente amarrou.

A noção de tempo fica bem esquisita. Então, eu não sei se realmente "previ" que ela faria algo, ou se eu, de olhos fechados, já havia visto ela amarrar, mas sentia que aquilo não havia acontecido. Teve uns outros eventos assim.

Porém, nesse tempo todo, eu estava ainda lutando contra meu "manto negro". E eu sentia que a coisa tava ficando ruim. De súbito, um pensamento veio. "Eu posso passar mal aqui. Eu posso ficar ruim aqui. Porque eu estou seguro. Então relaxa, relaxa...", e pensava nas pessoas que estavam ali pra ajudar. E então, comecei a relaxar, a ficar melhor...

E aí começou a ficar engraçado. Porque eu sentia como se tivesse regredido. Eu era uma criança. Estava TÃO confortável ali aonde eu estava, e eu estava tão maravilhado com tudo, tão feliz... que eu respondia pessoas conversando sem ver. Por exemplo, o mestre da reunião falava "Meus queridos, hoje estamos aqui reunidos, e temos muitas pessoas que estão regressando..." e aquilo pra mim era tão comovente, que eu falava "Aaaaawnnn"... é sem controle, antes de você perceber, já falou. Ou então "Hoje temos muitos aniversariantes" e eu falava "Que lindo!"

Um evento particular foi engraçado. Uma das pessoas agradeceu aquele momento, e no fim pensei "Essa menina vai bater palma junto comigo, quer ver?" e a gente começou a bater palmas pra pessoa NA MESMA HORA! Nós, de olhos fechados, batendo palmas em unissono. Foi engraçado porque depois me falaram que as pessoas ficaram com vergonha, e começaram a bater palmas também.

Cada música, me fazia ver tudo tão colorido. Eram cores vibrantes, felizes, e tudo girava em espirais felizes, e ondas de alegria e conforto tomavam conta de mim. Eu sorria como uma criança, e tudo soava maravilhoso. Ela ainda vinha em forma de "espiral", mas era de um jeito mais suave. Foi um momento muito bom, aonde me senti aconchegado por essa "força estranha". Era como se tivessem me mostrando que ela não é só rigidez e dureza... que ela pode ser doce, como uma mãe.

Porém, lições são lições, e elas tem sua hora. E parecia que a minha era naquela hora. Começou uma música em particular, com uma batida bem ritmada. Era um 'pá pá pá pá' num ritmo tão certinho... e aquilo foi levando todo meu momento feliz, e trazendo meu amável "manto negro" de volta nas minhas costas. E ele veio com tanta força, que comecei a ficar desesperado. Eu não queria ter que enfrentar aquilo, naquele momento. Não conseguiria. Eu estava com medo, me sentia fraco, sabia que não ia conseguir enfrentar. Talvez fossem desculpas, adiando o inevitável. Mas acho que a força resolveu ser misericordiosa comigo, naquele dia. Porque, assim que o mestre disse as palavras "E por hoje encerramos a sessão", tudo isso foi-se embora, sendo varrido como areia pela maré...

Então me sentei, e me despertei. Eu olhava as pessoas, e sentia que tinha algo diferente naquele dia. Elas conversavam, mas não era uma conversa normal. Elas conversavam com força. Muita força. Era como se cuspissem um monte de palavras, sem parar. Eu fechava os olhos, e sentia como se tivesse conectado com todos eles, e com mais um monte de gente. Era como se, naquele momento, todos estivessem conectados, e falavam sem parar. Normalmente os finais de reuniões são mais tranquilos. Mas aquilo definitivamente não era "normal". Era uma conexão invisível, porém forte. Um evento realmente fascinante.

Mas eu não conseguia me levantar, ainda me sentia fraco. Ficava apenas vendo as pessoas conversarem. E aquilo me pareceu tão rotineiro. Eu normalmente sempre fico alheio as pessoas. De longe, só observando. Quando converso, sempre é muito, como se quisesse compensar pelo "tempo perdido". Mas é natural meu ficar a uma distância. E eu ri pra mim mesmo ao ver isso acontecendo de novo.

Uma coisa eu tinha certeza. Dentro de mim, existia algo muito forte, MUITO mesmo, que precisava ser enfrentado com urgência. E eu sentia que logo teria que enfrentar de novo. Pois, mesmo estas sensações tendo ido embora, eu sentia, como se fosse uma brisa, nas minhas costas, uma presença ruim... como se quisesse me lembrar de que esse manto negro ainda estava ali, esperando, pronto. Que eu não podia fugir dele.

E comecei a ficar com medo, porque não queria cair nele de novo. Precisava urgente abraçar alguém, firmar em alguém, pois sentia que ia ser levado de novo. Lembrei muito da minha namorada nessa hora, quis muito que ela estivesse lá. E então, minha amiga apareceu, foi ver como eu estava. Abracei ela, e fiquei colado nela por umas duas horas, e conversava sem parar. Aquilo que todos fizeram antes, eu fiz naquele momento, sem parar, cuspia palavras uma atrás da outra. Era como se tudo que eu falasse, já tivesse escrito, eu não tinha "pausas" entre os argumentos, tudo fluia. Quando percebi, era bem mais de 3 da manhã. E eu pretendia sair dali e ir pra uma festa ainda...

O astral veio com toda sua força nesse dia. Me senti um nada perto disso tudo. Me sentia um pouco triste por não ter conseguido me enfrentar... quem sabe quando terei uma chance dessas de novo? Não sei se foi a postura mais correta, mas foi tudo que consegui fazer naquele momento. Me sentia diante de um dragão impiedoso, armado com nada, a não ser eu mesmo.

Espero encontrar esse dragão de novo. Da próxima vez, não vou recuar.

O início do sombreamento

Quando disse que a segunda vez havia sido o início de eventos que eu não estava acostumado, não estava brincando.

Eu fiz Kung Fu por uns 2 anos. Senti algumas coisas nesse período, através do trabalho com energias e coisas assim. Mas nunca esse tipo de trabalho havia gerado consequências. Beber o chá, como vejo hoje, foi como destravar, na porrada, um monte de coisas dentro de mim.

Inicialmente, os sonhos. Eu tenho problemas pra lembrar de sonhos desde... sempre? Sim, eu CUSTO lembrar de meus sonhos. Por anos, sonhos sempre são escassos pra mim, e eu custo a lembrar de qualquer coisa. Pra minha surpresa, após a primeira vez que tomei o chá, comecei a lembrar de TODOS os meus sonhos. Diariamente.

Porém, tudo começou a ficar estranho quando comecei a ter sonhos BEM lúcidos. Eu já tive sonhos que senti que eram "de verdade", mas esses iam além disso... era como se eu não estivesse dormindo. Além de sonhos com acontecimentos bem estranhos. Por exemplo, um dos dias sonhei que ouvia uma música em violão, e minha namorada cantava uma música. Eu sentia como se eu pudesse, literalmente, saborear o som da música. Ele tinha um som doce. Sim, um "som doce". A música passava e eu sentia na minha boca um sabor doce, e era como se eu sentisse as notas na minha boca. Eu acordei com água na boca.

Em outra ocasião, comecei a ter uma inspiração pros hinos que eles cantam lá. Foi estranho, porque não consegui lembrar nada da letra depois... só uma parte ficou gravada: e a luz do mal vai ser varrida por Javé. Que droga é essa? Isso ficou gravado até eu acordar, e logo fiz um pedido pro Santo das Informações. Na primeira resposta, já descobri que Javé era uma das traduções do suposto Tetragrama Divino, o YHWH. Em nota menos relevante, Javé também é o nome de uma cidade num filme com Matheus Nachtergaele.

Olha, eu nunca fui muito de ter sonhos, e do nada começo não só a ter vários sonhos, como sonhos "temáticos", com temas que eu honestamente nunca havia tido muito contato (sério, WTF is Javé? Eu não fazia nem idéia do que era isso). Fora as tais "sinestesias", que é você perceber um sentido através de outro (como sentir o "som doce).

Eu sinto que minha energia flui no corpo mais facilmente. Quem já fez Tai Chi, Kung Fu, Reiki, seja lá o que for, sabe do que estou falando. Aquele calor que emana certas partes, quando você começa a fazer algum tipo de exercício relacionado. Eu sinto aquilo com muita facilidade. Jogo tarot a um tempo, e quando jogava várias vezes seguidas, começava a sentir esse calor. Aos poucos, essa sensação de energia foi ficando mais forte, ao ponto de eu precisar de apenas um jogo de tarot pra estar suando bicas, devido ao calor enorme.

Acho que muito disso se deve a Z. Nos encontramos um dia depois, e joguei tarot pra ele. Ele então fez uma chamada enquanto eu embaralhava, e meu deus, foi algo muito estranho. Sentia que era "puxado" por ele, e em seguida, um calor MUITO forte tomou conta do meu corpo. Então, depois quando fui jogar outra vez pra ele, ele fez outra chamada, e desta vez meus braços ficaram congelando, e o meu tronco ficou pegando fogo. Desde esse dia, não paro de sentir um "calor" em meu corpo, incessante.

Última experiência estranha. Estava eu dormindo com minha namorada, na mesma cama. Então, eu tenho dificuldades pra dormir do lado de outra pessoa, se o colchão é muito estreito. Eu devo ser um enorme bicho do mato mesmo pra sentir isso...

Enfim, como de costume, não conseguia dormir. Mexi muito na cama. Ia mexendo sem parar, mas uma moleza tomava conta de mim logo em seguida. Então, minha namorada se levantou, eu sentia que era porque ela queria ir embora, tava tarde. Mas, abracei ela, e coloquei pra deitar de novo.

Só que aí começou a ficar estranho. Eu sentia que "entrava" dentro dela nisso. Senti que beijei ela no rosto.

Então acordei. Ela acordou em seguida. Perguntei se ela viu eu mexendo. Ela falou que acordou várias vezes, e que não me viu mexer um centímetro, muito menos sentiu...

E eu senti meus músculos se mexendo. Sentia NITIDAMENTE eu me mover. Dude...

Então perguntei pra ela se ela tentou levantar. Ela disse que uma hora tentou levantar, mas aí começou a sentir um sono muito forte, e sentia que algo a puxava pra deitar de novo...

Muita coisa além disso vem acontecendo. Aos poucos vou documentando. O que for mais relevante, vai estar aqui. Isso vai ser um registro de tudo que anda acontecendo... ou um atestado completo de loucura.

21 de março de 2009 - Sim, eu fui de novo


Bem, a foto logo vai fazer muito sentido.

Após a primeira experiência, imaginei o que podia vir. E claro, com medo de uma experiência ruim. Nos primeiros posts, não detalhei muito sobre o que pode acontecer. Agora então vão alguns detalhes.

A experiência toda se chama burracheira. Nela, é possível ter as mirações, das quais já falei, que são as visões e sensações. Porém, dependendo do que você pode experienciar, acontece um processo chamado limpeza. Não parece ser muito agradável. Na limpeza, você pode vomitar pra caralho, ou ter uma bela duma diarréia. O sentido disso é bem metafórico. Você não tem uma limpeza atoa. Ela tá sempre ligada com o que você tá experienciando. É como se você tivesse colocando "pra fora" coisas ruins dentro de você. E o corpo usa desses dois métodos pra expulsar essas coisas ruins.

Além disso tudo, tem a chamada peia. Peia é quando você tem uma experiência MUITO ruim. Normalmente as limpezas ocorrem nela, mas não é de regra ter limpeza na peia. Enfim, quem usa drogas costuma chamar isso de "bad trip", e cagam de medo de ter uma. Já nos grupos aonde se comungam o chá, eles sabem que a peia é algo necessário. Não existe visão "ruim". Tudo é algo pra você sempre aprender mais, principalmente sobre você mesmo.

Então, é óbvio que depois da primeira experiência, que foi extremamente agradável, eu tava cagando de medo de me foder. Tinha ouvido uns relatos de gente que vomitava em si mesmo, pois tava tão inconsciente que não conseguia nem se mexer. Eu particularmente não acho que tenha vontade de me vomitar todo. Mas, acho que se for inevitável, fazer o que...

Mais sobre o processo. Cada grupo tem seus métodos. No grupo que frequento, após tomar o chá, todos se sentam, e eles mudam as luzes do ambiente pra algo mais ameno. Colocam umas músicas pra você ouvir. As músicas variam... umas batidas tribais e xamânicas, as vezes um New Age, músicas nacionais... no todo, são músicas boas. E eles são bons em ministrar as músicas. Dependendo do momento, as músicas são calmas, mais introspectivas... ou mais alegres. No final, as músicas costumam ser mais felizes, pra acordar as pessoas da burracheira.

Ocasionalmente, os condutores do processo cantam umas músicas, eles mesmos. Elas tem o nome de chamadas ou hinos. São canções criadas em momentos de inspirações das pessoas. Elas tem a intenção de inspirar visões, de mandar a burracheira embora... enfim, várias coisas.

Não vou entrar em mais detalhes, pois acho que é um ritual muito único, e cada grupo tem sua metodologia. Mas, apenas uns detalhes básicos pra se ter idéia de como se segue.

Ok, então lá estava eu, pela segunda vez. Acho que é inevitável, você se sente um tiquinho ansioso toda vez. Eu particularmente me senti, de novo. Então, comungamos o chá, sentamos em nossas cadeirinhas felizes, e vamos embora.

Dessa vez, o efeito veio bem mais rápido. Em um tempo de 20 minutos, eu comecei a ver todas aquelas coisas malucas que descrevi da primeira vez. Você vê muitas figuras geométricas, mandalas, olhos, fora umas visões mais estranhas. Enfim, quando tinha ficado uns 20 minutos nisso... ouço o mestre falar "Bem, quem quiser pode comungar o chá mais uma vez".

Acordei de súbito. "Puta que pariu, como assim?". Fiquei assustado. Eu tinha certeza que não devia ter passado mais de 40 minutos, e quando olho o relógio, já havia passado mais de UMA HORA E MEIA. O tempo simplesmente voou, e pior, eu estive consciente nesse processo todo!

Fiquei meio impressionado, pensando sobre isso. Porém, fui e tomei mais uma vez. Eu já estava sentindo um efeito forte, semelhante da primeira vez, mas quis dar uma de Rambo e deixar mais forte ainda. Faltou só a metralhadora nas mãos.

Tomei a segunda vez, e me sentei. Durante as primeiras duas horas, sentia umas vontades muito estranhas. Do tipo, abrir a boca e ficar com a cabeça pra cima. Mas abrir MUITO a boca. Eu achava isso meio esquisito, imagina o povo te olhando com a boca arregaçada pra cima. Então ficava me contendo. Mas chegou um ponto que isso começou a ficar muito forte, e eu taquei o "foda-se", e abri a boca, e minha cabeça começou a lentamente ir pra cima. Na hora, eu sentia que meu corpo queria isso, e sentia que se fizesse isso, eu ia engolir mais "energias". Sério, isso passa na sua cabeça, e no momento faz tanto sentido... você pode se questionar, ou simplesmente aceitar e ir "com a corrente" que seu corpo induz. Nesse dia aprendi que você tem que se soltar mesmo.

E então, veio uma onda MUITO forte de paralisia no meu corpo. Eu não sentia mais nada. Eu só sentia a minha boca, só os lábios. E então veio uma experiência muito bizarra. Eu sentia três coisas, ao mesmo tempo.

- Eu era uma estátua. Eu sentia a textura de pedra em torno de mim. E então, me solidifiquei. E, dentro de mim, começou a sair... eu mesmo! Era como se eu mesmo estivesse cavando por dentro de mim, e querendo sair... mas eu era todo "negro", era como se tivesse só meus contornos, e os olhos. Então fui cavando por dentro de mim, até chegar na boca... eu parei por ali, e ficava olhando tudo de dentro da minha boca...

- Eu estava sentado em um trono, e estava viajando através dele. Eu estava voando MUITO ALTO, e via nuvens, num por de sol bem alaranjado. Sabe quando o ar tá bem úmido? Meio "molhado"? Eu sentia na minha boca os pingos de ar úmido batendo, por estar muito alto. Literalmente sentia...

- Eu sentia que estava sendo "esmagado" e sentia meu corpo todo retorcido. Tá vendo aquela foto ali em cima? Vê o cara de terno e com a mala nas mãos? Eu me sentia DAQUELE JEITO.

Foi um momento muito estranho. É difícil você imaginar sendo três coisas ao mesmo tempo, mas era exatamente isso que ocorria. Não tem outro jeito de falar. Era exatamente isso.

Porém, isso não durou o tanto que eu queria. Um dos braços, que estava apoiado no braço da cadeira, começou a doer. Eu não percebi, mas tava fazendo uma força IMENSA com esse braço pra baixo. Tava uma dor muito grande, um incômodo, eu comecei a sentir tudo latejar. Eu sabia que se mexesse, aquela experiência se encerraria. Tentei ao máximo ficar quieto, mas, não teve como: mexi o braço. PUF. Tudo foi-se embora... quando olhei o braço, ele tava tão marcado, que parecia que ia se fundir com a cadeira.

Tudo que consegui nesse dia, depois disso, foi me sentir extremamente relaxado e calmo. Fiquei bem introspectivo. Não sentia vontade de falar, queria pensar. Mas no fim da sessão, conversei um pouco sobre a experiência com algumas pessoas. E então, recebi um conselho óbvio, porém que não estava seguindo:

"Você tem que buscar o sentido disso tudo que viu. Por exemplo, você virar estátua e ver pela sua boca... o que significa isso? O que você acha que significa? Você não pode simplesmente ter a experiência e deixar por aí. Tem que buscar entender".

E então, pensei muito a respeito sobre isso tudo. E vi algo que já tinha ouvido antes de outras pessoas. Eu me limito. Eu sendo a estátua, é como eu sou mesmo. Me controlo demais, estabeleço muitas regras para mim mesmo. Impeço essa "coisa" que não sei bem o que é, de sair de dentro de mim. E ela fica lá dentro, só olhando as coisas acontecerem... porém, ela se sente sufocada, literalmente "esmagada". Por isso a sensação de esmagamento. E ela vê coisas muito grandes... por isso eu me sentia no trono voando. É o que ela vê, o que ela quer que eu veja e faça.

Foi uma experiência realmente interessante. Foi um olhar bem crítico pra dentro.

E depois desse dia, tudo começou a ficar meio esquisito... coisas que irei relatando aos poucos...

DETALHE IRRELEVANTE: eu cheguei atrasado e tomei um rala. Incrível como eu sempre arranjo um jeito de dar uma atrapalhada no processo auhahuauhauh

Mas então, o que DIABOS é esse treco?



(Na foto, preparação do chá)

Enfim, depois de ler essa experiência maluca, óbvio que na cabeça de alguns, só passa algo: QUE PORRA É ESSA?

Ou, no máximo: MAS VOCÊ É UM ZÉ DROGUINHA HEIN?

Bem... eu vou tentar fazer um misto de uma explicação científica e histórica. Sugiro a todos que, se interessarem, pesquisem por si próprios. Santo Pai Google, senhor das Informações, tá aí gente!

A palavra Ayahuasca significa algo como "Vinho dos mortos" ou "Cipó das Almas", alguns também o chamando de "Chicote das Almas" (significado esse que conheci bem de perto em uma outra experiência que logo irei relatar...)

Ele é feito através de duas plantas. Um cipó, chamado Mariri, e folhas de Chacrona.

Segundo relatos, o chá era inicialmente comungado entre os Incas. Só os líderes fodões sabiam como que fazia. Quando os espanhóis começaram a descer o cacete neles, e destruir tudo, um deles fugiu, plantou as duas partes do chá na Amazônia, e ensinou os índios locais a fazer o chá, para que o ritual se perdurasse. Tempos depois, ele foi descoberto pelo conhecido criador do Santo Daime, Raimundo Irineu. Supostamente, em uma das suas mirações (que são as visões induzidas pelo chá), ele recebeu uma missão de espalhar esta ferramenta de iluminação por aí.

Bem, quanto disso é fato ou não, fica a cargo de pesquisadores mais interessados. Porém, é o que se diz nos becos escuros...

Agora, um olhar científico.

O principal componente da Ayahuasca é o DMT, a dimetiltriptamina. Ele é o responsável pelas visões e a expansão de consciência. Dados interessantes sobre o DMT. Ele é produzido no nosso próprio corpo. Porém, ele é bloqueado por uma enzima chamada MAO, a monoamina oxidase. Ou seja, nosso próprio corpo impede o DMT de agir.

Então, o que o chá faz? No Mariri, existe uma outra enzima, chamada de IMAO, inibidor da monoamina oxidase. Ela inibe a ação da MAO. É um "inibidor do inibidor"...

E, na Chacrona, existe DMT. Então, quando você bebe o chá, você está bloqueando o que impede o DMT de agir, e ingerindo mais DMT.

"PERAÍ, ENTÃO ESSA PORRA É UMA DROGA NÉ SEU SAFADO FILHO DA PUTA!". Aí que está o grande ponto. Não, não é. Pra ser considerado "psicoativo", ou seja, algo que alterasse sua consciência, um composto precisaria ter 2% do agente psicoativo (no caso, o DMT) na sua composição. Pra ser considerado "alucinógeno", precisaria ter 20% de DMT.

O chá possui estonteantes... 0,02% de DMT na sua composição.

Outro método de medir a "periculosidade" de uma substância é vendo quantos litros dela você deveria ingerir, de uma vez, para morrer, a chamada "Dose Letal" ou "dl50". A água são 8 litros. O Whisky, 1 litro. O Suco de Maracujá, algo entre 7,8 e 8 litros. A Ayahuasca, algo entre 7,6 e 7,8 litros (eu digo "algo" porque todas as fontes gravitavam entre esses 2 números).

Ou seja, se você beber suco de maracujá, QUIMICAMENTE, você está bebendo algo mais perigoso.

Porque você acha que esse treco não é proibido? Atoa? Porque o CONAD (Conselho Nacional Anti-Drogas) e o DENARC (Departamento de Investigações sobre Narcóticos) está cheio de drogados? Claro que não. Foram 18 anos de pesquisa, só no Brasil. Além do Brasil, os EUA também tiveram episódios aonde se foi testado a Ayahuasca, com o mesmo resultado: Não, esse treco não é droga. A ONU emitiu um parecer favorável a Ayahuasca, pedindo que os países fossem mais lenientes com ela.

"Mas então, que merda é essa? Como diabos essa porcaria faz você ver Jesus, Ganesh, Satã e Ashtar Sheron jogando Truco? E Satã com um zap ainda!"

Boa pergunta. Bem, se formos olhar quimicamente, o que ocorre? O Mariri impede a enzima MAO de agir. A Chacrona dá um "empurrãozinho" com o pouco DMT dela. E o DMT do seu corpo começa a ter efeito.

Mas aí começa o fator "estranho" da coisa. Aonde céticos e crentes nunca vão ter uma boa conversa.

Em minha pequena experiência (ao todo, 3 sessões), eu presenciei pessaoas tomando 2 copos cheios de chá e não vendo NADA. E pessoas bebendo um tequinho e tendo as mais vastas experiências. Resistência pessoal? Talvez, porém, uma substância psicoativa VAI alterar você. Se você tiver uma certa "tolerância", ela sempre vai alterá-lo naquele nível. Pois ela realmente fuça no teu cérebro.

Mas, o que eu vejo com o chá é algo diferente. Se hoje eu tenho uma visão, numa escala de 0 a 100 de "potência", de pontuação 70... na próxima vez, eu posso ter uma visão de pontuação 0. Sim, tem gente que toma uma vez, tem a coisa mais absurda, e da próxima vez, pode tomar MAIS e não dar NADA. Ou o contrário... você ter algo mais ameno, e depois algo MUITO FORTE.

O que faz isso? Pré-disposição? Seu estado de humor? Ambiente? Acho que tudo conta. Porém, é o que eles chamam de "força estranha". É algo que só vivenciando para sentir. Eu estive dos dois lados, cético e crente. Eu sou um cético de natureza, mas sou um cético do tipo "empirista". Eu preciso de uma experiência para opinar. Não fico esperando os outros falarem para mim. Quando algo me interessa, eu mesmo vou e experiencio.

Após esse momento, eu realmente não fico fazendo muitas perguntas. Se funciona, se existe... eu apenas aceito. Eu jogo tarot a um tempo. Sempre me perguntam: "De onde você acha que vem isso que faz você tirar as cartas?" ou "Você foi atrás de saber como que você faz isso?"

E eu sempre respondo "Eu apenas aceito que é assim".

É a postura mais "correta"? Bem, eu não faço idéia. Mas, é a que funciona comigo.

Qual é a postura que melhor funciona com você?

Dia 7 de março de 2009 - É a minha primeira vez, seja cuidadoso... (Parte 2)





No mesmo banco, na mesma praça. Ehr...

Enfim, cheguei no lugar. Era um lugar bem simples, porém de certa forma aconchegante. Era uma varanda de casa, com várias cadeiras, daquelas que provavelmente sua avó tem na área de casa, aquelas boas de esticar e ficar conversando da vida. Ou quem sabe você mesmo tem.

Na frente de tudo, um símbolo bem interessante: um pássaro branco, na frente de vários "raios de luz". Tudo de madeira. Tinha uma mesa mais altinha, como se fosse um lugar típico pra um ministrante de uma reunião ficar, e do lado dela, uma mesa menor.

Enfim, fiz todos os procedimentos iniciais, como assinar o nome, e tudo mais. Eu havia vindo com Y, e logo X chegou. Sentei em um lugar que me foi indicado, e aguardei.

Passado um tempo, o mestre da reunião chegou. O lugar já estava com todas as cadeiras ocupadas. Na frente, várias pessoas com um uniforme. Eles estão ali pra auxiliar o processo dos outros. E então, a reunião se inicia.

No começo, ele fala várias coisas, fala um pouco sobre a doutrina do lugar. Eu confesso que inicialmente fiquei um pouco incomodado. Tenho uma resistência bem grande a religiões, doutrinas religiosas e afins. Então, me senti entediado. Mas senti que era uma doutrinação bem de leve. No fim, eu só queria tomar aquele chá logo. Ô demora! Anda logo rapaz!

Enfim, o esperado momento. Fazia tempo que não sentia aquilo. Aquela ondinha de medo / expectativa tomando seu corpo, principalmente sua barriga.

O chá tem cor de "pingado". Sabe, aquela mistura de café com leite? Então, é exatamente essa a cor do negócio. O cheiro dele é forte, lembra uma mistura de ervas. Já havia sido advertido que o gosto do negócio é forte, então lá mesmo tem umas balas pra você mastigar, pra sair o gosto. E o treco realmente tem um gostinho nada agradável. Eu senti isso até mesmo no outro dia. O gosto gruda na garganta.

Então, sentei na confortável cadeirinha, e fiquei relaxado. Claro, na cabeça, fica sempre aquela coisa... "E agora?" "Quando vai acontecer?" "Como que vai ser?"... enfim. Expectativa normal diante de algo diferente.

E fiquei decepcionado no início. Me senti relaxado... e só. Senti também uma extrema pressão no lugar aonde reside o chakra do terceiro olho. Extrema MESMO. Chegou a dar dor de cabeça, era muito incômodo.

"Mas que merda, é só?" - pensei.

Você pode tomar chá em dois momentos. Supostamente o efeito dura apenas duas horas, então, depois dessas horas, você pode, se quiser, tomar de novo. Obviamente, eu fui e tomei mais uma vez, afinal, nada havia ocorrido.

Então, sentei e fiquei de olhos fechados, esperando a "coisa" vir. E ela veio. Em questão de minutos, uma sensação de que seu corpo está "diferente" se apossou de mim. E eu fechava os olhos, e via as coisas mais malucas do mundo. Eu tentei me recordar de algumas, porque sempre falavam que era impossível explicar o que se via, e realmente é difícil. Mas, tentei guardar umas na mente, pra quem nunca experimentou algo assim ter uma noção de como é esse momento...

- Imagine um pufe, daqueles quadrados. Seus lados eram verdes. Então, imagine um desses lados sendo colocado bem na frente dos seus olhos... você não veria nada, além desse lado do pufe. Esse lado, era dividido por linhas verticais e paralelas, ou seja, dividiam o pufe em 5 partes (essas linhas eram como se fosse uma "costura"). E, nessas partes divididas, em cima da estampa verde do pufe, tinham vários quadrados brancos e vermelhos, que eram colocados de cima pra baixo, de forma alternada. E, em cima dos quadrados, estavam estampados rostos.

Então, uma mão passava bem em cima das costuras, e "abria" o pufe, só que não era bem uma mão... os dedos eram como se fossem feitos de metal, bem finos, eram como se fossem dedos de "tesoura". Eles passavam e o pufe se abria feito manteiga. E, na medida que passavam, os rostos na estampa iam literalmente "derretendo". Eu via os olhos saindo das órbitas, as expressões ficando todas alteradas...


- Tente imaginar um monte de setas. Não aquelas setas com "corpo" e "ponta". Era só a ponta, algo assim: >

Daí, imagine um monte delas enfileiradas. Daí quando chegava no fim do espaço da visão, elas se viravam pro outro lado. E eram de cores brancas e pretas, alternadas. Era como se fosse assim:

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Daí, elas pegavam e, subitamente, apontavam todas pra uma direção, e elas ficavam como se fosse um neon, as setinhas iam ficando alternadamente vermelhas... e quando isso acontecia, minha cabeça se mexia pro lado que elas tavam apontando. Era um movimento quase que involuntário... você sente que tem controle, se não quiser, não se mexe. Mas, você sente que seu corpo "tendencia" a se movimentar dessa forma. Então, você deixa, e essas coisas vão acontecendo.

Pra tornar mais bizarro, no canto inferior esquerdo disso tudo, eu via um "ícone" pequeno que ficava "pulsando"... era como se fosse um símbolo do McDonalds, com uns copos de refrigerante na frente, numa língua que eu não entendia... e ficava piscando.

Maluco, né? Pois é. Imagine que isso acontecia em uns 5 segundos, ae em seguida, vinha outra visão desse tipo, e outra, e outra... era como um sonho extremamente louco que ia se alternando continuamente. A música que você ouve tem um efeito no que você experiencia. Na verdade, qualquer coisa ao seu redor influencia.

Fiquei nessas visões malucas por muito tempo. Se fosse só isso, eu já teria saído de lá extremamente satisfeito. Mas, obviamente, eu tinha que tomar um tapa na cara.

De repente, tudo começou a sumir... e comecei a ver uma luz branca, MUITO forte. E sentia um calor, vindo de cima, um calor imenso. Mas, não era um calor desconfortável. Eu me sentia envolvido por ele, de uma forma que não me sentia a tanto tempo... sabe uma criança no colo da mãe, naquela noite fria, em que nada mais importa, a não ser o aconchego do colo da sua mãe querida? Bem... imagine isso aumentado umas cem vezes. Eu me sentia uma criança no colo de algo grande... enorme...

Eu me sentia envolvido por essa luz, e não conseguia sentir mais nada, além de amor, alegria, e me sentir mais e mais confortável.

Subitamente, o pensamento corre pela minha mente: "Cara... isso é DEUS!"

E uma onda de medo tomou meu corpo. Deus? Logo eu, que vivi tantos conflitos religiosos, que falava de boca cheia que "Deus não existe", que adorava brincar com a fé alheia... estava ali, sentindo que tava diante Dele.

E então, algo inesquecível. Eu "senti um sim". Isso parece esquisito, né? Bem, eu não ouvi realmente um "Sim"... eu tive uma sensação de um sim... era como se essa entidade falasse apenas por sensações e sentimentos, e ali estava ela, confirmando: Sim, eu estava diante de Deus.

Nesse exato momento, toda a tristeza da minha vida tomou conta de mim. E em minha cabeça, só um pensamento vinha: "Me ajuda, me ajuda, me ajuda, me ajuda...". Porém, lembrei de tudo que fiz... todas as brigas, todas as piadas, brincadeiras, tudo que falei em nome de Deus. E me senti tão desprezível. Pequeno. E imediatamente, só conseguia pensar uma coisa: "Me perdoa!".

E então fiquei com medo. Medo de ser abandonado. Não queria que aquilo fosse embora, não queria que ELE fosse embora. E então pensei "Não me abandona!". E, novamente, tive uma sensação de uma resposta: "Eu nunca te abandonei... sempre estive aqui". E nessa hora, eu chorei. Quem me conhece a fundo, sabe como é difícil pra eu chorar. A ponto de beirar o patológico. Mas, naquele momento, só conseguia chorar, e chorar, e chorar...

E então, fui tomado por uma grande sensação de amor. Como se nada mais importasse. E eu sentia que aquela energia era GRANDE. Eu não conseguia nem imaginar o tamanho... mas ela me envolvia com força. E todas as coisas ruins foram embora. O medo, a tristeza, a insegurança... eu literalmente me sentia anestesiado dessas sensações. E eu sorria, sorria como uma criança.

Então, essa luz foi diminuindo... diminuindo... e eu sabia: Ele estava indo. Logo pensei "Não vai embora...". E senti mais uma resposta: "Eu nunca vou embora. Sempre estou aqui". E eu sorri com a maior das alegrias. De que não estava sozinho.

Naquele momento, eu sentia que entendia. Nunca me senti próximo de Deus. Não me sentia com direito de pedir nem querer nada. Preferia ficar comigo mesmo. Porém, sempre quis um contato com ele. Não queria ser abandonado. E, naquele momento, saber que eu nunca fui abandonado por ele... foi algo muito inesperado. Simplesmente foi uma voadora em todas as minhas convicções e dogmas tão bem estabelecidos, durante anos...

Um simples cházinho foi o suficiente pra quebrar uma idéia tão sólida dentro de mim. De que não existia Deus. E, se existisse, ele não estava nem aí pra gente.

O encontro terminou, e eu só conseguia sentir alegria. Durante uns dois dias depois desse, eu não sentia nada além disso.

Seja lá o que tinha acontecido, tinha sido forte. Mal eu sabia que era só o início...

Mas, isso é história pra outro post.


DETALHE IRRELEVANTE: não me avisaram que não podia ir de roupa preta, e eu fui com uma bela camisa preta. O ÚNICO LÁ COM CAMISA PRETA. E quando você toma o negócio, tem a mão certa pra segurar (faz parte do ritual)... e eu segurei com a mão errada. Como sempre eu tenho que ser sempre o que faz as coisas erradas...