segunda-feira, 11 de maio de 2009

9 de maio de 2009 - E o bambu?


Bem, pra uma reunião extraordinária, em nome do dia das mães, sendo que eu estava até hesitante sobre ir, eu tive mais insights do que imaginaria. Aliás, eu tive mais insights do que jamais tive.

Hoje vou encher vocês com desenhos toscos mal-feitos no paint, pra explicar o que compreendi. Sim, minha experiência foi destinada a me ensinar como, de uma forma prática e "gráfica", passar pra vocês como é essa experiência. Sério, eu ia vendo aos poucos um modelo de como explicar isso, como se fosse num livro de faculdade.

A experiência toda foi baseada na firmeza. Dessa vez, não fiquei mexendo, sambando, respirando forte, nada. Porém, não é um estado 'rígido'. Comparo esse estado mais como um bambu mesmo, que tem flexibilidade pra se mover com os mais rigorosos ventos, mas não a ponto de se deixar levar por eles.

Ok, como eu já percebi, tudo que você formula em uma experiência, pode ser derrubado na próxima. Mas, por enquanto, tenho que me ater a o que tive lá. Preparem-se pro maior post até hoje. Sem mais delongas... o modelo "básico" da experiência, feito exclusivamente (e porcamente) no paint!




Se alguém esperava "glamour" nesse desenho, como deve ter se decepcionado...

Ok, mas vamos explicar o que diabos isso significa.

1 - O externo. Essas são as forças em ação, no momento. Energias, entidades, eventos externos... tudo que vem "de fora" e passa por você, nesse momento.

2 - Nosso organismo. Esse é nosso "aparelho biológico". Nossa casca que nos faz reconhecíveis como "humanos". Com ela, percebemos o mundo ao nosso redor (através de nossos sentidos) e também o afetamos de volta.

3 - Nossas sensações e sentimentos. Tudo que temos como sensação, que vem de imediato após captar algo vindo do "externo". Sentimentos como alegria ou tristeza, sensações físicas como dor e prazer... tudo está contido nesse "nível". Se o número 2 seria a nossa "casca", o número 3 seria um resultado dela. O que sentimos, tudo advém do que nossa "casca" percebe através do contato com o externo. Não estou falando ainda de pensamento. A palavra chave aqui é sentir.

4 - Isso seria o nosso "eu". Porém, não é o nosso eu humano, e sim, como eles chamam de Eu Superior, ou Eu Divino. É a sua verdadeira essência, conectada com a força superior, no caso, Deus. (não existe outro "caso", não sei porque cargas d'agua coloquei "no caso"). Os pensamentos estariam contidos aqui.

Ok, como tudo funciona? No momento que você bebe o chá, você fica aberto a energias e vibrações de um nível além do "humano" e perceptível. Essa expansão de consciência nos faz abertos (e, de certa forma, vulneráveis) a esta chamada "força", que nos inunda com visões (as mirações) e experiências. Então, no momento, tudo está bem assim:
Cada linha verde, significa uma miração, uma força, ou experiência particular. As vezes, todas as linhas verdes são a mesma coisa, ou seja, transmitem uma mesma miração, ou experiência. Porém, em outras vezes, elas podem ser experiências diferentes. Como na segunda vez que fui, aonde eu via ao mesmo tempo que estava em um trono, e também via algo "negro" saindo de mim, quando era uma estátua.

Ok, agora que começa o primeiro grande desafio. É aonde tudo fode. Talvez seja arrogância eu dizer que "compreendo" algo, mas eu sinto que o "segredo" da peia está nisso agora.

Então, estas forças chegam até nós. Então, elas são, primeiramente, captadas pelo nosso organismo, nossa "casca". E isso, então, gera uma série de sensações e sentimentos.

Porém, é justamente nisso que está o problema! Não é todo dia que somos inundados com mensagens divinas e mirações. Então, obviamente, nosso corpo terá uma percepção muito forte disso tudo. E é aí que está nosso grande erro. Nos deixar levar pelo que nosso corpo enxerga no momento. Porque a partir do momento que a energia chega em nosso organismo, ele a distorce em uma lógica humana. Então, é como se chegasse até a gente assim:



Ok, eu deveria ter medido melhor essas linhas pra que elas chegassem até o Eu de forma reta. Mas deu pra entender.

Então, a experiência tem um propósito, porém isso está além de nossa lógica biológica humana. E ele tenta simplificá-la em uma forma que ele conhece. Como? Dores, sensações corporais, como seu corpo estar sendo retorcido, partido, vontades de se mexer, tristeza, alegria... somos inundados a todo momento com essas sensações.

E qual o grande perigo? O perigo está em nos fixarmos nessas sensações e sentimentos e tomarmos eles como sendo a experiência em si.

Como me foi dito por um dos fardados (se você estiver lendo, agradeço-o de novo pelo ensinamento), devemos ser como um cilindro de vidro... somos banhados pela força, mas ela passa por nós, e vai embora. E é esse o segredo e a maior dificuldade. Porque nos apegamos a essas sensações humanas.

Percebi uma coisa interessante, que creio que acaba potencializando o desespero. Primeiro: as sensações não vão embora imediatamente. Por exemplo, você sente uma vontade de ir no banheiro. Você vai lá e faz o que tiver que fazer, e imediatamente sente-se aliviado. Mas essa não é a lógica que se aplica na experiência. Quando estas sensações chegam até nosso Eu, elas ali ficam por um tempo, antes de ir embora. Sentimos seus "resquícios" por um tempo prolongado, até elas irem sumindo.

Segundo: sentimentos e sensações, nesse momento, são cíclicos e circulares. Como assim? Ok, você tá tendo uma experiência particular, e sente uma enorme alegria. Você se fixa nela. Você começa então sentir alegria, alegria, muita alegria, putamerda quanta alegria, muita alegria, alegria, alegria, pouca alegria, tristeza, muita tristeza, agonia desesperadora, senhor de Deus quero cortar meus pulsos... e isso se torna cada vez mais intenso. E vai "girando"o ciclo toda hora.

Essas duas coisas simplesmente FODEM você. Como diria o mestre Mystery, do livro "O Jogo": "Seus sentimentos estão aí simplesmente pra foder você". E é a mais pura verdade. Ou seja: você sente tristeza. Decide então desapegar dela. Mas você ainda continua sentindo ela, mesmo não se sentindo apegado a isso. Então você se engana, achando que é tristeza que tá dominando, e deixa-se "levar" por ela.

Logo, você se conecta a esse "ciclo" de sentimentos. Depois da tristeza, alegria, e depois tristeza, alegria, e tudo muito intenso, e girando cada vez mais forte... obviamente isso é desesperador. O mesmo serve pra sensações físicas, como dor, vontade de se mover... quanto mais você se liga nisso, mais vai sendo inundado por ela, e trazendo outras sensações juntas. E tudo vai se inundando, dentro de você, num mar de "sensações". Seu corpo então, desespera-se. Seja bem vindo: você está entrando numa peia.

Por que diabos, então, tem pessoas que "entram" numa peia no meio do processo, e algumas já entram logo de início? Tudo depende de algumas variáveis. Primeiro: a intensidade da força. Ela vem em "pulsos" até você. Ou seja, em determinados momentos ela o atinge, e depois, um momento de calmaria... então ela volta, calmaria... só que o pulso dela pode vir com MUITA força. Seu corpo, então, vai ter uma sensação ou sentimento igualmente forte. Uma alegria imensurável. Uma dor imensa. Uma vontade descabida de começar a se mexer. E pra alguns, isso começa logo cedo. Pra outros, isso vem mais tarde. Porém, o resultado é o mesmo: você se conecta a seus sentimentos e sensações, não consegue sair deles, e se inicia uma espiral desesperadora.

Então, primeira lição da firmeza, com minhas palavras sutis e cheias de amor: SEUS SENTIMENTOS ESTÃO AÍ PRA FODER VOCÊ.

Ok, agora como ficam seus pensamentos nisso tudo? É claro, você pensa nesses momentos. Porém, qual o problema? Isso é uma lógica de uma das linhas da psicologia: pensamento gera sentimento e comportamento. (tá, eu sei que não é EXATAMENTE assim, mas por favor, a idéia é essa, não venha me corrigir... sim, você mesmo!).

Então, uma adição no desenho tosco, para refletir isso.

Ou seja, logo que você pensa, saiba que imediatamente você terá um sentimento ou uma sensação física. Ou seja, se você pensa demais, gera isso demais. E já vimos o que essas coisas geram: espiral da peia.

Segunda lição da firmeza: PENSE, MAS SAIBA QUE ISSO IRÁ GERAR SENTIMENTOS E SENSAÇÕES.

Então, o pensar em si não é um causador de desespero, mas o RESULTADO dele sim. Então, é preferível que você pense nos "intervalos" do pulso da força. Porque quando ela pulsa de volta, e seu corpo é inundado por aquele monte de coisas, você pensar só vai adicionar coisas a mais nisso tudo, e isso se torna mais difícil.

Agora, lição final de firmeza (ao menos por enquanto). Ok, você decide ignorar sua natureza humana. Com muita luta, consegue. Meus parabéns! Mas você ainda pode se ferrar. Como? Com as experiências e mirações em si.

Se você se abre pro divino, você vai ser levado cada vez mais longe. E, imediatamente quando decide que quer se "conectar" a uma experiência, ou seja, vibrar da mesma forma que ela, seu lado humano irá gritar em desespero. E já sabe o que acontece, nesse momento, quando ele desespera.

Então, tudo é uma luta constante. É uma manutenção constante do que você tá experienciando, com o que seu lado humano tá experienciando. Ele lhe cobra atenção toda hora, grita, sapateia. A força lhe inunda com ensinamentos, visões. E você, no meio disso tudo.

E agora, o ponto final disso tudo. É impossível você ignorar isso tudo. Desista. Resistir vai tornar tudo mais doloroso. Ao invés disso, você deve apenas deixar seu Eu ser "lavado" por tudo isso, e deixar ir embora. Você não deve se firmar em NADA. Deixe a energia vir até você, e não guiar você. Deixe os sentimentos e sensações virem, mas não os guie por eles. Deixe as coisas passarem por você, e não deixe-se levar por elas, apenas as sinta, aprenda, e deixe as energias seguirem.

Quem disse que era fácil?

Mas agora, meu insight vai além. Vem pra mostrar que, isso tudo que escrevi, não é nada novo. Que fazemos isso diariamente no nosso convívio humano.

Se você pensar bem, o "externo" que citei nos desenhos, não se aplica necessariamente a um âmbito espiritual. É ao mundo externo mesmo! Então, essa lógica se aplica totalmente na nossa vida humana. Apenas troque "energias", "divino", e esses termos, por "pessoas", "situações"...

Ok, vamos começar do básico. Até agora, falei somente como você "sente" isso, porque o intuito era falar da experiência em si. Porém, agora falarei de como você influencia o ambiente, seguindo essa lógica.

Seguindo a mesma lógica do "pensamento gera sentimento e comportamento", vamos agora emitir energia. Quando agimos, emitimos uma "vibração", da mesma forma que a força, só que em uma escala menor. E ela é percebida por nós, através de sentimentos e sensações. Então, chega a nosso organismo, que a emite de alguma forma, e ela chega até outro ser. Ok, desenho tosco entrando em ação de novo.

Quando isso chega até o outro ser, tudo acontece da mesma forma já explicada antes! O organismo dele irá captar a vibração, irá interpretar da sua lógica humana, e isso irá chegar até seu Eu.

Mas obviamente o convívio humano nunca é uma energia vibratória sozinha indo pra outro ser. O convívio humano é algo mais assim...

Isso é em pequena escala. Cinco organismos. Vejam como eles se influenciam, pensam, geram sentimentos e sensações... agora imagine isso com 10 organismos. 20. 100. Uma cidade.

A todo momento, somos inundados por energias a nível espiritual E humano. E qual a maior lição que tive? Devemos ter firmeza na VIDA. Não só no trabalho com o grupo. Na VIDA. Devemos deixar os acontecimentos passarem pelo nosso Eu, absorver seu conhecimento, e deixar eles irem. E não como fazemos: nos apegamos aos sentimentos e sensações que tais acontecimentos geram, e criamos espirais de infelicidade, de insegurança, de medo.

Devemos ter firmeza na vida. A maior das lições até agora.

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