
Quinta ida no grupo. E a jornada se mostra extremamente difícil E longa.
Podem ver que demorei pra postar. Mas é que esta ida em especial foi intensa. Muito intensa. Então estava ainda formulando pensamentos sobre tudo que experienciei.
Antes de ir, Z novamente "profetiza" o que ia acontecer comigo. "Você hoje vai cair nos encantos do chá". Isso foi o suficiente pra me dar um arrepio, afinal, da última vez que ele disse algo assim, eu saí rolando no chão, inconsciente...
Mas algo em mim também dizia isso. Dizia que seria MUITO forte. E não me enganei.
Como sempre, de início, eu sempre fico inseguro. "Será que hoje vou ter algo?". Apesar do medo de sentir algo forte, no fundo eu sempre quero algo.
Então após a chamada, o peso da força veio com tudo. Porém, de uma forma bem engraçada. Eu sentia meu corpo diferente, menos a cabeça. E ficou assim por um bom tempo. Era como se a energia tivesse "presa" abaixo da cabeça, e custou a subir. Mas também quando subiu...
Logo logo eu já sentia que a burracheira ia vir com toda a força. E eu ia ficar naquele conflito todo da vez passada. Mexer? Não mexer? E eu fechava os olhos, e via mãos me indicando pro lado aonde tinha o colchão... era um sinal bem óbvio de que eu devia era deitar logo. Já fui e pedi pra deitar, porque sentia que a coisa ia vir com força...
Deitado, fiquei ali muito tempo lutando contra uma sensação ruim. Eu via várias coisas desconexas... as figuras geométricas, as imagens... engraçado que uma imagem que é sempre "recorrente" nesses momentos é a de eu ver vários pontos que vão piscando, e minha visão se aproxima deles, eles tem rostos de pessoas que eu conheço... uma vez eles piscavam em amarelo, dessa vez piscaram em um vermelho escuro. E eles formavam tipo uma ponta de seta com 4 lados que apontava pra mim.
Nem tinha percebido, e o espaço pra beber o chá de novo foi aberto. E foi a concretização da profecia de Z. Fiquei ali deitado pensando "Ah nem vou tomar de novo", e quando vi, já estava de pé, pra receber mais chá. Me foi passado pouco, e instintivamente pedi mais, BEM mais.
Quando voltei e fechei os olhos, sentia uma leveza acima de tudo que já tinha sentido. Eu simplesmente desapareci. E então, tive as mais reais experiências até o momento.
Primeiramente, eu era uma semente. Eu sabia que eu era uma, e não pensava em nada. Nadinha. Eu via as pessoas me plantando, e eu via as roupas delas, roupas de pessoas humildes, da fazenda. Eu sentia várias esperanças depositadas em mim, de que eu crescesse e florescesse. Eu via a terra sendo jogada em mim, sentia o cheiro dela. Eu via depois água sendo jogada em mim. E por fim, eu crescia, via vários galhos e ramos surgindo de mim, em um crescimento bem acelerado.
Isso por si só já seria uma visão intensa. Mas, como aprendi a duras penas, você não pode ficar pensando demais sobre isso. Tem que apenas ver, como um expectador. E, pensando demais nas pessoas me olhando, de cima, que tudo isso se transformou logo...
Agora, eu estava em um hospital. Eu via médicos colocando tubos em mim, me colocando máscaras pra respirar. Eles gritavam, eu estava morrendo. Pessoas choravam em desespero. Era o final da minha vida.
Agora, eu não apenas "vi" isso. Eu SENTI isso. Eu estava REALMENTE morrendo. Sentia meu corpo perdendo a força, a existência. Tudo ia doendo, principalmente o peito, o que me fez achar que era uma parada cardíaca. Mas aos poucos eu ia deixando de sentir isso. Putamerda, eu tava morrendo MESMO...
Aí do nada, mãos de novo. "Mas hein?". É. Apontano pro banheiro.
"Ah não... não acredito...". E as mãos faziam joia pra mim. Como se me dissessem "Tá tudo bem. É a hora". Me levantei e fui pro banheiro. Era hora de fazer uma limpeza.
No caminho, pessoas batiam as mãos nas minhas costas. Sorriam. "Calma, é assim mesmo. Agora vai e deixa isso tudo ir", era como se dissessem isso. Mas que filhos da puta, eu não queria vomitar! Inicialmente cheguei a ficar com raiva disso, porque essas "pessoas" batendo as mãos nas minhas costas, pareciam estar achando tudo tão divertido. Mas parecia que eu não tinha um tiquinho de escolha.
Sentei no vaso e ainda recusava isso. O pior é que não sabia se ia vomitar ou se ia dar uma puta diarréia. Prevenindo, já fiquei "a postos". E então...
... nada. Fiquei um puta tempo lá dentro, e NADA. E foi lá que finalmente entendi algo citado ali em cima. Não posso "viver" essas coisas, pensar sobre elas... tenho que apenas ver. Ser neutro perante a isso. E senti você pode ser levado a uma peia por isso. Por você viver demais, ver demais. E então, subitamente, as mãos me mandavam pra fora do banheiro. Será que tinha aprendido a "lição"?
Que nada. Deitado de novo, as sensações continuavam. A lição era outra agora. Firmeza. A força te balança de todas as formas possíveis, e você tem que buscar firmeza sabe-se lá daonde. Eu fiquei boa parte do tempo olhando pra um cara que tava sentado perto de mim, porque sentia que se não fizesse isso, ia me levar por essas coisas ruins, e aí, limpeza...
Eu comecei a sentir o que era essa coisa ruim. Eu fui me deixando levar pra ver o que era. E então, novamente... cachorros. Eu ia sendo transformado em um cachorro. Mas dessa vez, era um cãozinho doméstico. Eu sentia o cheiro do pelo, sentia "minha" cauda balançando alegremente. Via pessoas colocando leite pra mim.
E isso me deixava inconformado. Eu não queria, de forma ALGUMA, ser um cachorro. Não me perguntem porque, mas isso me revoltava. Eu só conseguia sentir angústia em me tornar alguém domesticado. Era essa a coisa que vinha no meu coração, quando imaginava-me tornando um cão. Domesticado. Passivo. Ingênuo.
Não que eu ache que todos os cachorros sejam assim, mas é essa a imagem que me veio na hora. E a dor que isso me dava, era inexplicável.
E então, me veio o pensamento. "Cara, eu tenho um certo controle sobre isso. Eu não quero ser um cão! Não quero! Eu quero ser um felino, um gato!"
E como mágica, tudo foi-se... todas as coisas ruins, todas as angústias...
Quem me conhece bem, sabe como eu adoro gatos, e felinos no geral. Na verdade, acho que vai além disso. Eu sinto quase como uma conexão com eles. Então, a compreensão de que eu tenho um certo domínio do que vivencio, veio acompanhada de um presente maravilhoso.
Eu ERA um felino.
Inicialmente, eu era um gato. Eu recordo que a primeira coisa que tive, foi a sensação de brincar com a presa. E eu gostaria de descrever pra vocês o quão FELIZ isso é. Agora entendo porque gatos passam tempos e tempos fazendo isso. É tão divertido, que eu tinha vontade de rir feito uma criança.
Mas eu não ria. Porque não? Por acaso gatos riem? Nessa hora, eu ERA um. Eu mexia o nariz, e sentia os bigodes. Sentia o pelo. Eu vivenciava coisas de gato. Então, eu não "pensava", de uma forma humana, lógica, racional. Eu era envolto de sentimentos animalescos. Existe um pensar nos animais, mas é quase como um "pensar sentindo". Então quando eu via meu ratinho, minha presa, eu não pensava "Ah rato safado, eu vou pegar você agora...", enquanto olhava pra ele e apontava minhas garras. Eu sentia isso.
A existência como gato é tão boa. Você não se preocupa com nada além do que te deixa bem. Você caça, pula muros, mia, ronroa, dorme... não existem as inúmeras e inúmeras preocupações humanas. Aliás, não existe preocupação. Isso é uma sensação tão humana.
Eu senti todo o orgulho felino que passa diante de um gato. Eu peguei o rato, e comi ele (que coisa mais saborosa). Então, sentia que outros se aproximavam, e arrepiei meu pelo. Nessa hora, eu, no meu pensar felinesco, era um felino ULTRA poderoso, e rosnava. Será que gatos sentem isso na hora?
Além disso, eu via várias coisas acontecendo ao meu redor, e sentia algo como "Isso não é digno da minha preocupação". Afinal, eu era um felino, superior, radiante.
E, subitamente, eu era um tigre. Estava na selva. Sentia o peso do corpo de um tigre, sentia a relva passando nos meus pelos. Meu rosnado agora era poderoso. Eu caçava uma presa, e agora não era uma brincadeira, como um gato fazia. Era quase uma arte. Meu corpo cintilava com uma energia vibrante, enquanto andava calmamente pela selva. E sim, eu estava deitado no colchão, e fazia todos esses movimentos. Pra quem tava olhando, deve ter sido bem engraçado...
E então, eu era um leão. Sentia a juba enquanto mexia a cabeça. Sentia-me o senhor das selvas. E em uns momentos, eu era como se fosse um misto de todos os felinos. Eu era A representação do que é ser um felino. E então, veio o melhor.
Aconteceu duas vezes. Pessoas dizem que os animais não tem uma espiritualidade, porém eu VIVI isso. E não era a minha espiritualidade sendo vivenciada dentro de um animal. Era a conexão com Deus, de um animal. Era algo muito forte e gostoso. Eu olhava pra cima, e via uma energia vibrante, iluminada, percorrer todo o firmamento. E eu SABIA que era Deus. Sabia que ele olhava por mim, me amava. E o melhor? Eu não precisava ficar preocupado com isso. Afinal, eu SABIA.
Não era como um humano, que busca isso de uma forma tão desesperada. Como se quisesse prender Deus dentro de si. Prender aquela conexão com Deus, aqueles momentos de conexão com Ele. Como felino, eu senti que não precisava disso. Isso é algo que surge do nosso medo humano de sermos deixados sós. E, naquele momento, eu sabia que NUNCA seria abandonado por Ele.
Foi uma puta lição sobre como encaro, e como encaramos, nossa conexão com Deus. Eu olhei pra ele, dei um "tchau" felinesco, e segui o curso da minha existência. Não tinha que me preocupar. Eu SABIA que ele estava dentro de mim, e que eu era parte dele. Então, pra que desesperar? Se nós, humanos, conseguíssemos fazer assim, tudo seria tão mais fácil. Porém, como fazê-lo, em meio a tantos medos, receios, inseguranças...
Acho que esse é um dos pontos principais da nossa evolução, como seres humanos. E o mais engraçado é ter percebido isso de um ser dito como "inferior". Espiritualmente, posso sentir que a humanidade está MUITO mais inferior do que um animal. Se aprendermos a simplesmente "ser"... tudo se tornaria bem mais simples.
Custei a deixar essa burracheira ir embora. Afinal, eu amo felinos! E ser um foi o maior presente que poderia ter. Saí de lá BEM tarde, mas com a sensação de que tinha fechado um "ciclo". Parece que todas as experiências anteriores culminaram nessa última, aonde tive vários aprendizados.
E que venha o novo ciclo...

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